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  • Sérgio Fadul / Shalom

Nossa Senhora, Mãe da Misericórdia


Com o seu coração compassivo de Mãe, não poderia permanecer indiferente às mazelas dos seus filhos neste vale de lágrimas. A Mãe de Jesus e nossa merece, portanto, ser honrada como Mãe da Misericórdia.


Existe uma íntima relação entre Maria Santíssima, a Mãe de Jesus, o mistério da misericórdia divina e a prática da misericórdia. Maria está desde a sua concepção envolta na misericórdia infinita do Pai, pelo Filho e no Espírito (preservada do pecado e do demônio), ao mesmo tempo em que o seu agir – antes e depois da sua Assunção – está assinalado pelo amor efetivo aos seres humanos (especialmente pelos pecadores e sofredores).


Oficialmente, a Igreja Católica aprovou em 15/8/1986, o formulário da Missa Votiva “Santa Maria, Rainha e Mãe de Misericórdia”, importante marco para a história de sua veneração (sem nos esquecermos que em 30/11/1980, o Papa João Paulo II destacara na sua Encíclica Dives in misericordia que Maria é a “pessoa que conhece mais a fundo o mistério da misericórdia divina” N. 9). Anos depois (1997), o Catecismo da Igreja Católica diria que ao rezar na Ave-Maria: “rogai por nós, pecadores”, estamos recorrendo à “Mãe da misericórdia” (CIC, N. 2677).


Salve Rainha…


A invocação “Salve, Rainha de misericórdia”, se encontra pela primeira vez com o Bispo Adhémar, de Le Puy (+ 1098), que destaca a qualidade do olhar materno de Maria: “esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei”, e conclui com o sentido desta sua misericórdia: “ó clemente, ó piedosa, ó doce, Virgem Maria.”


Já o título “Mãe de Misericórdia”, acredita-se que foi dado pela primeira vez a Maria por Santo Odão (+942), abade de Cluny. “Ego sum Mater misericordiae” (Eu sou a Mãe de Misericórdia), Maria lhe teria dito em sonho.


No mundo oriental, podemos encontrar testemunhos ainda mais antigos. O padre oriental Tiago de Sarug (+521), aplicou a Maria explicitamente o título de “Mãe de misericórdia” (Sermo de transitu), o que é, por muitos considerado como sua primeira atribuição em absoluto.


Relação com a Mensagem da Divina Misericórdia


Em Vilna, capital da Lituânia, se venera a imagem da Mãe da Misericórdia de Aušros Vartai (Portal da Aurora), desde 1522. Ela está localizada em uma das entradas do antigo muro.


Em 1773, o Papa Clemente XIV concedia indulgências a quem rezasse ali com devoção, e em 1927 o Papa Pio XI permitiu que a pintura fosse solenemente coroada com o título de Maria, Mãe de Misericórdia. Sua festa é celebrada em 16 de novembro.

Em nossos tempos, Santa Faustina Kowalska†, mística polonesa, nos repropõe à centralidade da Divina Misericórdia para a fé e a vida da Igreja, recorrendo a Maria Santíssima como Mãe da Misericórdia, padroeira da Congregação religiosa a que pertencia (cf. Diário 79, 449, 1560), cuja festa celebrava (a Congregação) em 5 de agosto.


Por Providência divina, a primeira vez em que a imagem de Jesus Misericordioso foi publicamente venerada foi justamente em Vilna (cf. Diário, 417).


Mas, em qual sentido nós podemos proclamar Maria com o título de Mãe da misericórdia?


Sem cometer o grave equívoco de pensar que a misericórdia é reservada a Maria e a justiça a Jesus (como muitos medievais chegaram apensar), o título “Mãe da Misericórdia” ou “Mãe de misericórdia” assim se justifica:


Maria é a mulher que experimentou de modo único a misericórdia de Deus – que a envolveu de modo particular desde a sua Imaculada Conceição, passando pela Anunciação, como discípula fiel do seu Filho, até o grande momento da Sua Páscoa (paixão, morte, ressurreição, glorificação e Pentecostes). Ela é kecharitoméne, “cheia de graça”, ou seja, totalmente transformada pela benevolência divina (cf. Ef 1,6).


Maria é a mãe que gerou a misericórdia divina encarnada – graça extraordinária que coloca a jovem Maria, a partir da Encarnação do Filho de Deus, numa relação inimaginável de intimidade com o próprio “Pai das misericórdias” (2 Cor 1,3). A partir do seu “eis-me aqui” e do seu “faça-se”, a misericórdia divina se faz carne e entra na história.


Maria é a profetisa que exalta a misericórdia de Deus – pois no seu cântico, o “Magnificat”, por duas vezes – unida ao Filho do Altíssimo e ao seu Espírito – ela louva ao Pai misericordioso: “a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem”; “socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia” (Lc 1,50.54).


Maria é a intercessora incansável do povo de Deus – elevada aos Céus em corpo e alma, ela não deixa de apresentar as necessidades dos fiéis ao seu Filho, a quem rogou pelos esposos de Caná, quando vivia na terra (cf. Jo 2,1ss).


Ela “continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna”, como ensina o Concílio Vaticano II (Lumen gentium, N. 62), praticando assim a misericórdia, sobretudo para com os que padecem dos males da alma (pecadores), mas também do corpo (todos os que sofrem).


Maria é a apóstola incansável da misericórdia divina – com a permissão e o envio do seu Filho, ela visitou inúmeras vezes os seus filhos ainda peregrinos neste mundo. É o que podemos contemplar nas aparições que já gozam de beneplácito eclesial (Guadalupe, La Salette, Lourdes, Knock, Fátima etc.), que convidam todos a se aproximar do “trono da graça”, que é o seu Filho.


Com o seu coração compassivo de Mãe, não poderia permanecer indiferente às mazelas dos seus filhos neste vale de lágrimas. A Mãe de Jesus e nossa merece, portanto, ser honrada como Mãe da Misericórdia.



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