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  • Sérgio Fadul / Cruz Terra Santa

Santa Escolástica


Origens


Escolástica e Bento nasceram na cidade de Nórcia, no centro da Itália, no ano 480. Filhos de família rica e nobre, sofreram uma grande perda logo ao nascer, pois a mãe faleceu no parto. Apesar da ausência da mãe, receberam educação primorosa e sólida formação na fé cristã. Tanto que Santa Escolástica, quando era ainda muito jovem, e antes mesmo de se tornar monja, decidiu consagrar-se totalmente a Deus com o voto de castidade.


Vocação


O voto de castidade feito por Santa Escolástica antes mesmo de se tornar freira, mostra a certeza de sua vocação. Porém, ela ainda não sabia como deveria viver este chamado profundo que Deus lhe fizera. No tempo de seu amadurecimento vocacional, seu irmão, São Bento, fundou a Ordem Beneditina e o primeiro mosteiro cristão do Ocidente. A regra de vida dos beneditinos era a inspiração que faltava para Santa Escolástica discernir por completo sua vocação. Assim, ela seguiu os passos do irmão e fundou o ramo feminino da Ordem Beneditina. Um pequeno grupo de moças a acompanhou nesta jornada.


A Ordem das Beneditinas


Santa Escolástica contou com toda a ajuda do irmão no que diz respeito à adaptação da regra de vida dos beneditinos ao modo de ser feminino. Assim nasceu o primeiro mosteiro cristão feminino do Ocidente, fundamentado, principalmente, na vida em comunidade e no princípio “Ora et Labora” (oração e Trabalho) criado por São Bento. Até então, monges e monjas eram eremitas que viviam isolados, sem uma vida em comunidade. Já os beneditinos viviam com horários e atividades bem definidos ao longo de todo o dia.,


A ordem floresce


O mosteiro das beneditinas, que começou pequeno, logo floresceu e várias moças começaram a procura-lo para ali ingressarem e viverem a consagração total a Deus na oração, no trabalho, no estudo e na vida em comunidade, ajudando, compartilhando e suportando umas às outras com caridade e amor cristão.


A relação com o irmão São Bento


A relação de Santa Escolástica com seu irmão gêmeo São Bento, era profunda. Havia entre eles uma ligação inspiradora. Os mosteiros masculino e feminino ficavam pertos um do outro. Porém, os dois irmão só se viam uma vez por ano, no tempo da Páscoa, por causa das regras de vida e das mortificações que se impunham.


O último encontro entre os irmãos


Certa vez, num desses encontros em que estavam São Bento, Santa Escolástica e mais alguns monges e monjas dos dois mosteiros, eles passaram o dia conversando sobre as coisas espirituais e as riquezas do Reino dos Céus. Ao anoitecer, São Bento, rígido, avisou que era hora de voltarem para seus mosteiros. Santa Escolástica, porém, insistia em ficar mais, pois o crescimento espiritual e o colóquio entre os irmãos estavam preenchendo sua alma. São Bento, porém, permanecia irredutível. Então, Santa Escolástica orou pedindo ajuda a Deus, Nesse momento caiu uma chuva torrencial que impedia a todos de irem embora. Assim, permaneceram toda a noite ali, partilhando as coisas Deus e rezando. Ao amanhecer, todos foram para seus mosteiros. Três dias depois Santa Escolástica faleceu. São Bento, em oração, viu o espírito da irmã, como uma pomba, entrar no paraíso. Por isso, Santa Escolástica é representada com uma pomba branca na mão ou no peito. Era o dia 10 de fevereiro do ano 547.


Morte de São Bento


São Bento sepultou a irmã no túmulo que ele tinha preparado para sua própria sepultura. Quarenta dias após a morte da irmã, era a vez de São Bento ser levado para o céu. Ele faleceu no mosteiro que fundara, levando para Deus uma vida santa. A mensagem e a forma de vida de São Bento e de Santa Escolástica influenciaram todo o Ocidente cristão. Das Ordens religiosas criadas por eles, várias outras foram criadas, todas vivendo sob a regra de vida baseada no lema “Oração e Trabalho”.


Oração a Santa Escolástica


“Ó Deus, Pai de misericórdia, Santa Escolástica mostrou que nossa missão é servir, é carregar os fardos uns dos outros, é promover a harmonia e a paz entre todos os homens. Dá-nos compreender em profundidade esses teus desígnios, para que nos aproximemos de Ti, para que Te reconheçamos nos irmãos e para que Te louvemos e bendigamos sem cessar. Amém.”


Santa Escolástica, rogai por nós!




Dos Diálogos de São Gregório Magno, papa (Lib. 2,33: PL 66,194-196) (Séc.VI)


Foi mais poderosa aquela que mais amou


Escolástica, irmã de São Bento, consagrada ao Senhor onipotente desde a infância, costumava visitar o irmão, uma vez por ano. O homem de Deus descia e vinha encontrar-se com ela numa propriedade do mosteiro, não muito longe da porta.

Certo dia, veio ela como de costume, e seu venerável irmão com alguns discípulos foi ao seu encontro. Passaram o dia inteiro a louvar a Deus e em santas conversas, de tal modo que já se aproximavam as trevas da noite quando sentaram-se à mesa para tomar a refeição.

Como durante as santas conversas o tempo foi passando, a santa monja rogou-lhe: “Peço-te, irmão, que não me deixes esta noite, para podermos continuar falando até de manhã sobre as alegrias da vida celeste”. Ao que ele respondeu-lhe: “Que dizes tu, irmã? De modo algum posso passar a noite fora da minha cela”.

A santa monja, ao ouvir a recusa do irmão, pôs sobre a mesa as mãos com os dedos entrelaçados e inclinou a cabeça sobre as mãos para suplicar o Senhor onipotente. Quando levantou a cabeça, rebentou uma grande tempestade, com tão fortes relâmpagos, trovões e aguaceiro, que nem o venerável Bento nem os irmãos que haviam vindo em sua companhia puderam pôr um pé fora da porta do lugar onde estavam.

Então o homem de Deus, vendo que não podia regressar ao mosteiro, começou a lamentar-se, dizendo: “Que Deus onipotente te perdoe, irmã! Que foi que fizeste?” Ela respondeu: “Eu te pedi e não quiseste me atender. Roguei ao meu Deus e ele me ouviu. Agora, pois, se puderes, vai-te embora; despede-te de mim e volta para o mosteiro”.

E Bento, que não quisera ficar ali espontaneamente, teve que ficar contra a vontade. Assim, passaram a noite toda acordados, animando-se um ao outro com santas conversas sobre a vida espiritual. Não nos admiremos que a santa monja tenha tido mais poder do que ele: se, na verdade, como diz São João, Deus é amor (1Jo 4,8), com justíssima razão, teve mais poder aquela que mais amou.

Três dias depois, estando o homem de Deus na cela, levantou os olhos para o alto e viu a alma de sua irmã liberta do corpo, em forma de pomba, penetrar no interior da morada celeste. Cheio de júbilo por tão grande glória que lhe havia sido concedida, deu graças a Deus onipotente com hinos e cânticos de louvor; enviou dois irmãos a fim de trazerem o corpo para o mosteiro, onde foi depositado no túmulo que ele mesmo preparara para si.

E assim, nem o túmulo separou aqueles que sempre tinham estado unidos em Deus.



MARTIROLÓGIO ROMANO

10/02


1. Memória do sepultamento de Santa Escolástica, virgem, irmã de São Bento, que, consagrada a Deus desde a infância, tinha com o seu irmão a mesma comunhão em Deus, de forma que uma vez ao ano se encontravam em Montecassino, na Campânia, região da Itália, passando todo o dia nos louvores divinos e em santos colóquios.

(† c. 547)


2. Em Magnésia, na província romana da Ásia, na atual Turquia, os santos Caralampo, Porfírio, Dauto e três mulheres, mártires no tempo do imperador Septímio Severo.

(† s. III)


3. Na Via Labicana, a dez milhas de Roma, os santos Zótico e Amâncio, mártires.

(† s. III/IV)


4. Perto de Terracina, na Campânia, hoje no Lázio, região da Itália, São Silvano, bispo.

(† s. IV)


5. Em Saintes, na Aquitânia, na atual França, São Troiano, bispo.

(† c. 550)


6*. Em Besançon, na Borgonha, hoje também na França, São Protádio, bispo.

(† c. 624)


7. No território de Rouen, na Nêustria, também na atual França, Santa Austreberta, virgem e abadessa, que dirigiu piedosamente o mosteiro de Pavilly pouco antes fundado pelo bispo Santo Audeno.

(† 704)


8. Na gruta chamada Stábulum Rhódis, perto de Grosseto, na Toscana, região da Itália, São Guilherme, eremita de Malavalle, cujo exemplo deu origem a muitas congregações de eremitas.

(† 1157)


9*. No mosteiro premonstratense de Fosses, perto de Namur, na Lotaríngia, atualmente na Bélgica, o Beato Hugo, abade, cujo mestre, São Norberto, entretanto eleito bispo de Magdeburgo, lhe confiou a organização da nova Ordem, que ele governou com grande sabedoria durante trinta e cinco anos.

(† c. 1163)


10*. Em Rímini, na Flamínia, atualmente na Emília-Romanha, região da Itália, Santa Clara, viúva, que expiou com penitência, mortificação da carne e jejuns a anterior vida licenciosa e, reunindo-se num mosteiro com outras companheiras, serviu o Senhor em espírito de humildade.

(† 1324/1329)


11*. Em Avrillé, perto de Angers, na França, os beatos Pedro Fremond e cinco companheiras[1], mártires, que durante a Revolução Francesa foram fuzilados por causa da sua fidelidade à Igreja católica.

[1] São estes os seus nomes: Catarina e Maria Luísa du Verdier de la Sorinière, irmãs; Luísa Bessay de la Voûte; Maria Ana Hacher du Bois; Luísa Poirer, esposa.

(† 1794)


12. Em Cotija, no México, São José Sánchez del Rio, mártir.

(† 1927)


13*. Em Valverde del Camino, perto de Huelva, na Andaluzia, região da Espanha, a Beata Eusébia Palomino Yenes, virgem do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, que, dando testemunho insigne de humildade, sem ostentação alguma, com grande espírito de abnegação alcançou nos serviços mais humildes os mais sublimes dons da graça.

(† 1935)


14*. Na cidade de Krasic, perto de Zagreb, na Croácia, o Beato Luís Stepinac, arcebispo de Zagreb, que se opôs audazmente a doutrinas que ofendiam a fé e a dignidade humana, até que, pela sua fidelidade à Igreja, foi detido muito tempo no cárcere e, enfraquecido pela doença, terminou o seu insigne episcopado.

(† 1960)

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