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  • Sérgio Fadul / Cruz Terra Santa

Conversão de São Paulo


Ao contrário do que muitos pensam, Saulo (grego) ou Saul (nome original hebraico) era um fariseu e não um militar violento e sanguinário. Sua conversão foi determinante para que a fé em Jesus Cristo chegasse até nós.


Para compreendermos um pouco de sua personalidade, é preciso compreender quem eram os fariseus no tempo de Jesus. Estes formavam um partido político/religioso que tinha forte influência sobre o povo judeu. Eles se dedicavam ao estudo da Torá, para nós, o Pentateuco, ou os cinco primeiros livros da Bíblia.


Eles tanto se dedicavam ao estudo da Torá que a palavra “fariseu” significa “separado”, no sentido de separado do povo para se dedicar ao estudo das Sagradas Escrituras. Mas eles não se dedicavam somente à Torá, mas também a ensinar o povo sobre a Torá. Por isso, tinham grande influência e era respeitados. Eram os mestres principais nas sinagogas judaicas no tempo de Jesus.


Saulo era um judeu nascido em Tarso, cidade muito grande e multirracial situada na Cilícia, onde hoje é a Turquia. Seus pais eram judeus e ele tinha o título de cidadão romano, provavelmente recebido por ações de seus antepassados em favor de Roma. Esse título lhe outorgava vários direitos.


Ele foi educado em Jerusalém aos pés de um grande mestre dos fariseus chamado Gamaliel. Essa credencial dava a Saulo um status muito importante entre os judeus de sua época.


Por ser um homem fiel ao que acreditava é que Saulo perseguiu os cristãos, e não por simples crueldade. Pra ele, a “seita cristã” era uma contraposição séria ao judaísmo, ao qual ele dedicara sua vida. Para ele, o cristianismo era uma afronta à Lei de Deus expressa na Torá. Por isso ele perseguia os cristãos; por acreditar que estava combatendo ao lado do próprio Deus.


Seu temperamento colérico fazia dele um homem decidido, prático, corajoso, inteligente, de raciocínio rápido e fiel às suas crenças. Por isso, a conversão de Saulo é tida como um verdadeiro milagre, pois, só Deus poderia transformar essa mente poderosa e este coração convicto num seguidor fiel daquele a quem perseguia.


A conversão de São Paulo aconteceu no momento mais ferrenho de sua perseguição contra os cristãos. Após consentir na morte de Estêvão, um dos diáconos da Igreja de Cristo em Jerusalém, ele pediu permissão para ir até Damasco prender outros cristãos que, dali, disseminavam a fé para várias partes do mundo.


Assim, ele parte para Damasco com autorização do Sinédrio de Jerusalém, ou seja, a máxima autoridade judaica. Só que, no meio do caminho, uma surpresa esperava por ele: um encontro pessoal com Jesus Cristo.


Sim, o próprio Jesus aparece a ele e pergunta: “Saulo, Saulo, por que Me persegues?” A partir daí, Saulo não é mais o mesmo. Tanto que até mudou seu nome para Paulo.


Interessante é que, mesmo conhecendo profundamente a Torá e os livros judaicos, Paulo não sai de imediato a pregar o Evangelho como Apóstolo. Ao contrário, ele se recolheu por alguns anos, na oração, na meditação, na compreensão das Escrituras à luz de Jesus Cristo e no contato com os Apóstolos. Só depois disso é que ele parte para a missão, obedecendo ao chamado em seu coração.


A conversão de São Paulo é que trouxe a Boa de Jesus Cristo para os não judeus. A princípio, os próprios Apóstolos estavam tendendo a pregar o Evangelho somente para os judeus. Foi São Paulo quem abriu o horizonte e começou a disseminar a Boa Nova para os pagãos, ou seja, para os que não eram judeus.


Portanto, se hoje nós que vivemos no Ocidente, temos a preciosa fé em Jesus Cristo, devemos isso a São Paulo e à sua conversão. Foi ele quem enxergou que a mensagem de Jesus era para todo o mundo e não somente para os judeus. Por causa disso, ele sofreu grandes perseguições por parte de judeus e até mesmo por parte de cristãos. Porém, ele não esmoreceu, trazendo para milhões de pessoas a graça do conhecimento de Jesus Cristo.


Que São Paulo interceda por nós a graça de um verdadeiro encontro pessoal com Jesus Cristo, como ele o teve. Se tivermos este encontro, viveremos uma verdadeira conversão e poderemos plantar sementes que, talvez, nem vejamos germinar, mas que, certamente, germinarão e farão bem a muita gente, como o próprio Paulo disse: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem faz crescer”. (1Cor 3,6)


São Paulo, Rogai por nós!



MARTIROLÓGIO ROMANO

25/01


1. Festa da Conversão de São Paulo, Apóstolo, ao qual, quando ia para Damasco, ainda respirando ameaças de morte contra os discípulos do Senhor, o próprio Jesus glorioso Se apresentou no caminho e o escolheu, para que, cheio do Espírito Santo, anunciasse o Evangelho da salvação aos gentios, padecendo muitas tribulações pelo nome de Cristo.

(† c. 67)


2. Comemoração de Santo Ananias, discípulo do Senhor, que batizou Paulo, depois da sua conversão.


3*. Em Pozzuólli, na Campânia, região da Itália, Santo Artemas, mártir.

(† s. III-IV)


4. Em Cartago, na atual Tunísia, Santo Agileu, mártir, em cujo dia natal Santo Agostinho pregou na sua basílica um sermão ao povo em sua honra.

(† s. III-IV)


5. Em Nazianzo, na Capadócia, hoje Nenízi, na Turquia, o dia natal de São Gregório, bispo, cuja memória é celebrada no dia 2 de Janeiro.

(† c. 389)


6. Comemoração de São Bretanião, bispo de Tómis, na Cítia, hoje Constança, na Roménia, que, no tempo do imperador ariano Valente, a quem resistiu com grande fortaleza, foi eminente pela sua admirável santidade e pelo seu zelo na defesa da fé católica.

(† s. IV)


7. Em Tabenna, na Tebaida, região do Egito, São Palémon, anacoreta, intensamente consagrado à oração e à contínua penitência, que foi mestre de São Pacómio.

(† s. IV)


9. Em Marchiennes, na Flandres, também na atual França, São Popão, abade de Stabelot e de Malmédy, que difundiu em muitos mosteiros da Lotaríngia a observância de Cluny.

(† 1048)


10*. Em Ulm, na Suábia, região da Alemanha, o beato Henrique Suso, presbítero da Ordem dos Pregadores, que suportou pacientemente inúmeras tribulações e enfermidades, compôs um tratado sobre a sabedoria eterna e pregou assiduamente sobre o suavíssimo nome de Jesus.

(† 1366)


11*. Em Amândola, no Piceno, hoje região das Marcas, na Itália, o beato António Miglioráti, presbítero da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho.

(† 1450)


12*. Em Mântua, na Lombardia, região da Itália, a Beata Arcângela Girláni (Leonor Girláni), virgem da Ordem das Carmelitas, prioresa do convento de Parma e fundadora do cenóbio de Mântua.

(† 1495)


13*. Em Tortosa, na Espanha, o Beato Manuel Domingo y Sol, presbítero, que instituiu a Sociedade dos Sacerdotes Operários do Coração de Jesus, para fomentar vocações sacerdotais.

(† 1909)


14*. Em Alessândria, no Piemonte, região da Itália, a beata Maria Antónia (Teresa Grillo), religiosa, que, ao ficar viúva, se dedicou misericordiosamente às necessidades dos pobres e, vendendo tudo o que possuía, fundou a Congregação das Irmãzinhas da Divina Providência.

(† 1944)


15*. No campo de concentração de Dachau, perto de Munique, cidade da Baviera, na Alemanha, o Beato António Swiadek, presbítero e mártir, que, em tempo de guerra, por defender a fé perante os sequazes de doutrinas hostis a toda a dignidade humana e cristã, recebeu a coroa imperecível de glória.

(† 1945)


8. Em Arvena, na Aquitânia, hoje Clermont-Ferrand, na França, os santos Preste, bispo, e Amarino, homem de Deus, ambos mortos às mãos dos notáveis da cidade.

(† 676)

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