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  • André Butzke

Confissão


O confessionário é o único tribunal em que o réu se apresenta culpado e sai absolvido.


Quando o assunto é perdão, muito se fala. E, quando muito se fala, a capacidade de se produzir erros aumenta. Não é a intenção desse texto ser o balizador do assunto, mas apenas jogar luzes sobre o perdão, o ato de perdoar e, especialmente, o ato de pedir perdão a Deus.

Humanamente falando, perdoar é rejeitar em absoluto vingança e se dispor a ver o outro como alguém digno de compaixão. Não é esquecer a injustiça sofrida, mas superar a injustiça com caridade. É pagar o mal com o bem. A melhor forma de se vingar de quem te causou um mal é perdoar.

Quando levamos esse debate para o campo espiritual, percebemos que os injustos e agressores somos nós. Agredimos um Deus de Amor com nosso pecado, nossa indiferença e, muitas vezes, ainda acusamos Deus de ser o culpado dos nossos erros ou provações. E isso gera em nós o afastamento dAquele que nos ama e deu sua vida em troca da nossa.

Contudo, esse Deus-Amor nos ama tanto – e aqui fica a redundância mesmo – que nos deixou uma forma de reatarmos nossa relação com Ele: o Sacramento da Reconciliação.

O Sacramento da Reconciliação é exatamente o que o nome sugere: reconciliação com Deus, pois o homem pecou e peca. O pecado, por ser uma negação de Deus, um ato pessoal e decisão da vontade, necessita de um ato de conversão, de mudança, para que haja o perdão: uma aceitação, um ato pessoal e decisão de, diante do ministro ordenado, na pessoa do próprio Cristo, admitir as faltas cometidas contra Deus e o próximo. E, assim, mediante um sincero arrependimento, receber o dom do Espírito Santo através da absolvição ofertada por Cristo através das palavras – fórmula própria – proferida pelo ministro.

Se tivermos a infelicidade de perder a vida da graça pelo pecado mortal, o Sacramento da Penitência lavará as nossas faltas no Sangue de Jesus Cristo, cuja virtude nos é aplicada pela absolvição, contanto que estejamos sinceramente contritos e resolvidos a romper com o pecado. (CTAM 254)

O Sacramento da Confissão é a oportunidade que nós temos de pedir perdão a Deus por todos os erros cometidos e de receber a sua misericórdia. Porém, antes de nos confessarmos, é necessário reservar uns bons momentos de silêncio e oração para refletir no que fizemos de errado, em algo que possamos ter prejudicado outras pessoas e no que podemos fazer para nos tornarmos cristãos melhores.

Em um sentido mais profundo, este sacramento é também uma confissão, reconhecimento e louvor da santidade de Deus e da sua misericórdia para com o homem pecador. (cf. CCE 1424)

O Exame de Consciência para bem confessar-se é o primeiro grande passo do Sacramento da Reconciliação. Sem ele, o Sacramento fica prejudicado. Assim, elaboramos algumas questões para nos ajudar a refletir sobre as ações pelas quais devemos pedir perdão. Elas não esgotam todo o assunto, mas servem como um guia favorável.

·Rezei todos os dias ou pelo menos elevei a Deus um pensamento de gratidão ou uma súplica?

·Neguei ou abandonei a minha fé? Tenho a preocupação de conhecê-la melhor? Recusei-me a defender a minha fé ou fiquei envergonhado dela? Existe algum aspecto da minha fé que eu ainda não aceito?

·Disse o nome de Deus em vão? Pratiquei o espiritismo ou coloquei a minha confiança em adivinhos ou horóscopos? Manifestei falta de respeito pelas pessoas, lugares ou coisas santas?

·Faltei voluntariamente à Missa nos domingos ou dias de preceito?

·Recebi a Sagrada Comunhão tendo algum pecado grave não confessado? Recebi a Sagrada Comunhão sem agradecimento ou sem a devida reverência?

·Fui impaciente, fiquei irritado ou fui invejoso?

·Guardei ressentimentos ou relutei em perdoar?

·Fui violento nas palavras ou ações com outros?

·Colaborei ou encorajei alguém a fazer um aborto ou a destruir embriões humanos, a praticar a eutanásia ou qualquer outro meio de acabar com a vida?

·Tive ódio ou juízos críticos, em pensamentos ou ações? Olhei os outros com desprezo?

·Falei mal dos outros, transformando o assunto em fofoca?

·Abusei de bebidas alcoólicas? Usei drogas?

·Abusei da comida? Comi mais do que deveria ou precisava?

·Fiquei vendo vídeos ou sites pornográficos? Cometi atos impuros, sozinho ou com outras pessoas? Estou morando com alguém como se fosse casado, sem que o seja?

·Se sou casado, procuro amar o meu cônjuge mais do que a qualquer outra pessoa? Coloco meu casamento em primeiro lugar? E os meus filhos? Tenho uma atitude aberta para novos filhos?

·Trabalho de modo desordenado, ocupando tempo e forças que deveria dedicar à minha família e aos amigos?

·Fui orgulhoso ou egoísta em meus pensamentos e ações? Deixei todavia de ajudar os pobres e os necessitados? Gastei dinheiro com o meu conforto e luxo pessoal, esquecendo as minhas responsabilidades para com os outros e para com a Igreja?

·Disse mentiras? Fui honesto e diligente no meu trabalho? Roubei ou enganei alguém no trabalho?

·Fui preguiçoso? Preferi a comodidade ao invés do serviço aos demais?

·Descuidei a minha responsabilidade de aproximar de Deus os outros, com o meu exemplo e a minha palavra?

Que o Espírito Santo de Deus nos ilumine e ajude a sempre bem nos confessarmos. Amém.


André Butzke é teólogo e professor da Escola Luz e Vida Fonte: CCE – Catechismus Catholicae Ecclesiae CTAM – Compêndio de Teologia Ascética e Mística

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