• Sérgio Fadul

A nova "Verdade" em tempos de pandemia

Atualizado: Jan 3

"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim." (Jo 14,6).


Estas palavras de Jesus fazem parte das tantas afirmações do Ego Sum recitadas por Ele e ecoam em todas as mentes cristãs!



Sua palavra não é restrita aos cristãos: É universal, visto que Deus é Pai de todos, mas nem todos são Seus filhos, por não reconhecerem como tal. Pilatos, diante do julgamento que lhe foi imposto a Jesus naquela sexta feira, questiona-o sobre o que seria a verdade. É quando Ele fala que todos os que são da verdade reconhecem a Sua voz. Ou seja, a questão está exatamente no reconhecimento e/ou na aceitação da verdade!



O "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida", os 3 Vs, oriundos do latim - Via, Veritas et Vitae) - revelam a grandiosidade de Deus que se fez homem por nós e nos mostrou por onde andar, como reconhecer a Sua face e a nos compenetrar em uma mudança radical, com foco e determinação. Entretanto, apesar disso, o homem ainda se indaga quanto à verdade em sua vida, ou a reinterpretar conforme a sua conveniência, criando, desde o início da Era Cristã, imagens falsas sobre a mesma, distorcendo por completo esta herança divina.


Em qual momento nós questionamos a verdade?

Por que devemos ficar mais atentos

em determinados momentos?


Notem: na citação de Jesus, os Apóstolos estavam reunidos, com Ele, na última ceia. E o Cristo sabia qual seria a reação dos mesmos perante a sua crucificação. Eram algumas palavras para recordarem o que viveram juntos por três anos: Milagres, curas... e suas palavras faziam todo sentido em suas vidas.


Ora, quando se entende que milagres e curas não são "mágicas", imediatamente é captado que se trata de um conjunto de resultados que culminam num realinhamento da vida com Deus. Os homens que pecam ficam sedentos de amor, o Amor Ágape - doação e entrega incondicionais - e sua ansiedade, que era resultado de um vazio enorme em sua alma, se torna algo bom e verdadeiro, onde o homem dava lugar a coisas pequenas, passageiras e fúteis.



O que é o ser, o ter, o poder e o prazer

se não são da graça de Deus?


Tudo isso parece ter uma grande importância na nossa vida... Pessoas lutam para serem cada dia mais importantes, para terem muitas posses, ou para comandar, e até se deleitar com a beleza e gozos de uma vida "plástica" moldada conforme nossos pensamentos. E todos nós, se não buscamos o elemento fundamental, o Amor Ágape, nunca iremos obter satisfação, nem pessoal, nem comunitária.


Há pessoas que não se contentam com o suficiente: querem cada vez mais, gastam para se exibir, ou para ter prazeres carnais, que são criados em suas mentes insaciáveis. Guardam este dinheiro de forma tão egoísta que vivem uma vida sem sentido, e fazem, pelo seu egoísmo, com que a vida seja dolorosa para outros. Seu cativeiro é o materialismo!


Vemos também pessoas cujas vidas parecem ser um vitral: expõem em uma vida perfeita, mas seu interior é podre. São dependentes da própria beleza e das aparências. Podem até ter, junto de si, pessoas maravilhosas, mas tendem perder tudo e todos, por não aceitar que seu "mundo perfeito" seja questionado, ou, ainda, se sofrem com algo inesperado, por causa de sua subserviência.


O prazer é algo muito relativo, mas há quem tenha obsessão por ele. Experimenta-se aquilo que parece ser algo bom para a vida, mas o que se encontra é a escravidão. Se quer cada vez mais, mas este prazer, por ser matéria, nunca é alcançado! Daí a procura insaciável por algo que nunca chega...


Pessoas que vivem em função do prazer carnal estão cada vez mais próximas da morte. Vivem pela luxúria, pelas drogas, pela adrenalina, são escravas. E necessitam de uma determinação muito forte para sair desta lama que os deixam cegos, surdos para os que querem os ajudar e mudos para com a Verdade. Suas mentes os ludibriam a todo momento, fazendo com que permaneçam no eterno sofrimento achando que estão livres.


O poder corrompe a alma do Homem quase sempre. São poucos os homens que conseguem superar os "15 minutos do primeiro tempo" permanecendo bom, fiel e caridoso, dado o perigo da corrupção... Tendemos enxergar muitas pessoas no poder e, com raras exceções, nos permitimos ver pessoas realmente boas, não só nas palavras e aparências, mas em suas ações e intenções.


Não podemos esquecer que a sensação do poder também está nas pessoas com algum estudo, que, tendo sido classificadas através de um concurso e adquirindo certa estabilidade, abusem da mesma para não trabalhar, ou exercer sua função de um jeito qualquer, ou até mesmo fazer conchavos para diminuir seus afazeres... Uma forma de achar que detém o poder e também de roubar, visto que é o dinheiro do povo que paga os impostos para um bom serviço público.


Muitas pessoas olham para estes maus exemplos e caminham para na mesma direção. Um barco se reúne a corrupção do ser, do ter e do prazer. E ainda há aqueles que querem de qualquer forma se agarrar a este barco, agindo de forma semelhante aos que estão dentro, sem ter nada. Eis ai o seu senhor, o poder, a ganância, o desprezo pelo irmão.



Somente quando entregamos a nossa liberdade

a nosso Deus, que realmente nos tornamos livres.


O homem, em seu desejo de ser/ter mais, perdeu o paraíso, desaprendeu o seu Amor primeiro.


O mal continuamente nos falará como falou a serpente à Eva: que não precisamos de Deus, que podemos ser como deuses... E o fruto desta desobediência será sempre o pecado. O que faz com que as pessoas não percebam isto?


Os homens sabem quando erram, mesmo antes da vinda de Cristo, porque Deus nos deu a consciência que grita diante da visão da história, com seus erros e acertos, e pelo processo do resgate da alma humana após o seu afastamento do paraíso. Resgate feito pelo próprio Deus, em Jesus, Seu Filho e nosso Senhor. Voltamos então ao ponto inicial, onde Cristo se apresenta como a Verdade, o Caminho e a Vida!


Infelizmente os homens parecem não mudar... No século IV começaram a descrever alguns comportamentos do homem diante de uma redoma que os envolvia: o egoísmo (ego-eu; ismo-doutrina). E, nesta redoma o homem desenvolve pensamentos tendenciosos, voltados ao seu conforto, mesmo que para isso haja um afastamento de Deus.


A santa Igreja, no século XIII, proclama os sete pecados capitais, ou seja, aqueles que podem levar à morte espiritual. Isto a fim de instruir aos homens sobre suas atitudes, para os colocar diante do Decálogo e mostrar que não há como "enganar" Deus. Todos os pecados capitais tem uma carga muito grande de egoísmo presente, mostrando que o homem se afastou do mandamento de amar a Deus e ao irmão como a si mesmo.



O homem então se tornou escravo de si mesmo?


É importante buscarmos aprender com a Palavra e incessantemente amar a Deus. Para isso, contudo, temos que conhecer e termos firme a vontade de estar com Deus. Infelizmente são muitos que aprendem, mas se estagnam, sem compreender e nem amar a Deus. E também há os que compreendem a dinâmica da Salvação, mas tentam modificá-la a bel prazer, e terminam por se afastar da de Deus.


De outra forma temos pelo menos três situações:


- Aquela que não conhece a Deus e é escrava de outros deuses;


- Aquela que conhece a Deus, mas não O obedece, escravo de suas vontades, do seu egoísmo;


- Aquela que acredita em Deus, presume que O obedece, mas, por não conhecê-Lo realmente, vive na distância ou na discórdia, tornando-se escravas da comodidade;


Jesus diz em sua Palavras que nem todos os que dizem: "Senhor, Senhor" entrarão no Reino dos Céus. Não há rótulos para alma humana. Cada uma é responsável por sua vontade. Não existe "carma" ou "destino"! Estas são palavras de quem se reconhece pecador e inventa uma desculpa por não conseguir se modificar. Deus é maravilhoso e, quando percebemos isso, nossa vida muda. Veja como Ele se revela aos pequenos; note quantos santos seguiram o Seu caminho... E suas vidas eram tão ricas na Graça, que a verdade parecia visível aos seus olhos, como qualquer coisa que nos é visível.


Aos que querem mudar de vida, acreditem, é necessário o jejum. Se abster da situação que vive, no firme propósito...


De nada adianta substituir o vício por outra coisa, ou reduzir um pouco o que se consome, como se fosse uma dieta. Se o problema é o dinheiro, que não haja o dinheiro por uma boa época; Se o problema é o ser, que se isole por um tempo de exposições e até de colocações; Se o problema é o prazer, invista na radicalidade, do afastamento total daquilo que te escraviza. Mas, se ainda for muito difícil, busque os grupos de apoio. O poder só é combatido com a caridade total... "Aquele que quer ser o maior, que seja aquele que serve" é a Palavra do próprio Jesus, dada aos Apóstolos e perpetuada a nós hoje. Distinga "servir" de "cumprir horários"... são coisas totalmente diferentes.


Por fim, o que muitos consideram liberdade é simplesmente uma forma de fazer as coisas diferentes da que Deus propôs para nós; é libertinagem! Devemos saber que são os nossos erros os responsáveis por nossas mazelas, sofrimentos e obsessões. Deus nos dá a oportunidade de fazer a boa escolha - o livre arbítrio. Ele nos dá a chance de seguirmos no bem. Deus não pode ser responsabilizado por nossos erros. Ao pensamos na dimensão dos nossos erros, esquecemos que é a desobediência, o egoísmo, ou a loucura por algum prazer, ou desprezo pelo outro, que culmina "acidentes" cruéis, decepções e traições. Deus nos ama! E você, ama realmente a Deus? Então não permita que a sua liberdade fira ou entre na liberdade dos outros... E seja grato pelas coisas que Deus te dá e não enxergas; exercite a sua gratidão e teus olhos ficarão livres das cegueiras do egoísmo e da escravidão.


Sejamos livres! Busquemos a Deus e o Seu amor sem fim.



Uma oração de gratidão para quem quer exercitar o conhecer a Deus e seu amor eterno...


Obrigado Senhor,

Pela vossa presença constante ao meu lado! Vós sois a força no momento de fraqueza, a alegria no momento de tristeza. Vós sois a paz na tribulação e na angústia, És a rocha que alicerça meus projetos E o embalo harmonioso

que me acalma nas noites de inquietação. Vós sois a luz que ilumina meu caminho E a alegria que me faz caminhar. Vós envolveis toda a minha vida

E estás presente, em cada momento que vacilo. Quando caio, me levantas; Quando me decepciono, me animas; Quando sinto medo, me fortalece. Em vós confio plenamente

E, a todo o momento, rendo-vos graças

pelas bênçãos e maravilhas que realizas a cada novo dia. Amém.


(Oração escrita por Padre Helder José, C.Ss.R)




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