• Frei Joshan Rodrigues c/acrescimos

10 dicas para ajudar a resolver grandes e pequenos problemas no casamento


Verdade seja dita: O Padre que trabalha com orientação matrimonial compartilha as melhores técnicas para os casais resolverem os problemas juntos...


"Conheci muitos casamentos felizes,

mas nunca um compatível.

O objetivo do casamento é lutar

contra o instante em que a incompatibilidade

torna-se inquestionável, e sobreviver a ela.

Pois um homem e uma mulher,

tais como são, são incompatíveis."

G.K. Chesterton - O que há de errado com o mundo


Os conflitos conjugais são uma realidade séria. Todos os casais tem discussões, mesmo de simples desacordos até grandes conflitos.


Não se deixe enganar pelos “casais perfeitos” do Facebook e do Instagram. As pessoas raramente postam aspectos negativos de suas vidas. Alguns casais afirmam que nunca tiveram uma diferença de opinião durante toda a sua vida conjugal.


Isso é realmente possível?


É difícil acreditar que Deus já fez duas pessoas tão parecidas em todos os sentidos que suas opiniões coincidiram em tudo! Um conflito deve ser resolvido antes que fique fora de controle. Mesmo as pequenas divergências, se não forem resolvidas, podem infeccionar por anos e um dia explodir como um vulcão. Algumas brigas nunca terminam, elas duram anos, enquanto outras parecem desaparecer sem chegar a uma conclusão, aprofundando assim o ressentimento. O primeiro choque geralmente ocorre algumas semanas ou meses após o casamento, quando percebemos que nosso cônjuge “perfeito” não é tão perfeito assim, e começamos a nos irritar com pequenas “imperfeições” em sua personalidade. Isso é perfeitamente normal e deve ser trabalhado. Esta lista pode ajudar você a trabalhar algumas situações de conflito em seu casamento.



1. Se houver desentendimentos, supere

Não evite brigas a qualquer custo. Desentendimentos são uma parte saudável do relacionamento e todo casal os tem. O que é mais importante é como você briga.


Quando houver um conflito, supere-o, para não permitir que uma briga destrua seu amor. Sempre tendo em mente que seu cônjuge não é seu inimigo. Trabalhar seus desentendimentos fará de vocês um casal mais forte.


Quando eu era jovem, um comentário me veio após uma briga entre amigos. Eles brigam, pois eles não são iguais, nem sempre pensam as mesmas coisas e nem tem a mesma perspectiva do que se vê. Portanto, é normal vermos amigos brigando, pois nas discussões nos conhecemos nos pontos que normalmente não expomos e fazemos uma coisa que sempre fizemos: fazer valer nossa opinião, aquilo que achamos ser certo, mas que ainda está sendo moldado. O que não se justifica nunca é a agressividade"



2. Não fique em silêncio


Quando há uma briga, é importante se comunicar e falar sobre isso. Recusar-se a falar com a outra pessoa só vai piorar a situação.


É claro que, no começo, você pode ficar em silêncio para mostrar que está com raiva, mas não prolongue esse silêncio por muito tempo. Quando seu cônjuge vier até você depois de algum tempo e disser que quer falar sobre isso, não recuse. Não importa o que aconteça, não vá dormir com raiva.


“Não deixe o sol se pôr em sua raiva”. Ir para a cama com raiva fará você pensar mais e desenterrar ainda mais problemas. Você não estará feliz automaticamente na manhã seguinte.


As pessoas podem reagir de diversas formas para alcançar aquilo que querem. E o silêncio, que é visto como algo bom para o nosso relacionamento com Deus, não é bom no relacionamento com o nosso cônjuge.


Com Deus nos fazemos silenciosos para não ouvirmos os nossos próprios "barulhos e ruídos", coisas que nos distraem e não nos deixam unir na presença Dele. Mas com nosso cônjuge, ele se torna uma arma, que agride de forma passiva, na qual não existem gritos, xingamentos, agressões físicas, mas te priva da conversa, da amizade, da atenção, do carinho e, até mesmo, da presença. É uma forma de querer controlar, emocionalmente, o outro através desta forma de "tortura", uma cela solitária nas nossas emoções.


3. Lembre-se, você mesmo: “eu não sou perfeito(a)”


Muitos conflitos surgem quando um cônjuge constantemente culpa a outra pessoa por tudo que está errado.


Nenhum marido e nenhuma esposa são perfeitos. Estar ciente de que os dois não são perfeitos irá ajudá-los a encontrar uma solução. O casamento implica ser flexível e abrir espaço para a personalidade do seu cônjuge.


No coração de todo conflito está o eu, o ego. O verdadeiro problema é que, mesmo dentro do casamento, quero que minha liberdade irrestrita faça o que me agrada, esperando, ao mesmo tempo, a aprovação incondicional do meu cônjuge. Em outras palavras, quero ser o sol com meu cônjuge orbitando a minha volta como um planeta dedicado.


A falta de interesse e de conhecimento gera um fato bastante interessante: o acusar. É mais fácil acusar do que resolver. É mais fácil acusar que conhecer. Deixamos as coisas acontecerem, porque não temos interesse em resolver e quando o conflito acontece, damos desculpas dizendo que foi o outro. Como se os outros tivessem o dever de nos servir.


Quando temos interesse, nós mediamos, nós corrigimos e procuramos não deixar os acidentes acontecerem. Participamos e tentamos desenvolver o interesse no outro também. Quando buscamos conhecer, nos interessamos e terminamos por nos dedicar mais às coisas, ou relacionamentos.


4. Peça a um amigo(a) para mediar


Nos casos em que a questão se tornar séria, peçam a um amigo(a) em comum (uma pessoa em quem ambos confiam e que seja objetiva e neutra) para mediar entre os dois. Pode ser um amigo confidente da família, um membro da família ou até mesmo um padre.


Pode haver momentos em que ir juntos para aconselhamento matrimonial seja, talvez, inevitável. Não se recuse a ir mesmo se você acha que o outro é que tem culpa. O objetivo da mediação é ajudar os dois a resolver seus problemas, não para determinar quem foi o culpado. Lembre-se de que, afinal, você ama seu cônjuge, quer permanecer casado(a) e a outra pessoa provavelmente sente o mesmo por você.


Muitas vezes bate no nosso coração uma autoproteção, uma crise que busca só firmar aquilo que se vive, sem mudar, sem se propor enxergar o que o outro enxerga.


Se buscamos um apoio, uma mediação, devemos expor o que enxergamos e também as nossas possíveis faltas. Se colocarmos a verdade, podemos descobrir que problemas tão grandes podem ser, na realidade, causados por um desconhecimento em algo na vida do outro.


O mediador, por sua vez, tem que ter esta capacidade, de descobrir uma lacuna. O padre, ou conselheiro religioso, apesar de não viver o dia a dia matrimonial, ele consegue enxergar com mais facilidade esta lacuna sentimental, ou, às vezes, sintomática.


5. Não faça ameaças


Não diga coisas ofensivas quando estiver zangada(o), o que pode causar uma divisão permanente entre você e seu cônjuge.


Não ameace o divórcio, nem saia de casa ou qualquer outra coisa.


Faça um acordo para nem mesmo mencionar essa palavra em seu casamento, não importa o quão ruim seja a discussão ou a situação (supondo que não haja abuso ou infidelidade).


Quando você está se sentindo completamente furioso(a), apenas se afaste por um momento, e dê à sua mente e coração tempo para soltar o vapor.


Nós podemos ter naturalmente esta forma de reagir, como pequenos gatos que ao se verem ameaçados, se eriçam, tentam se fazer maiores, bufam e ameaçamos para que não passem daquele ponto. Quando ameaçamos, mostramos a nossa fraqueza, a nossa dificuldade na comunicação. Neste momento é melhor se calar a