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Aborto: Papa decide alargar faculdade de absolvição a todos os sacerdotes

O Papa Francisco anunciou hoje a decisão de alargar definitivamente a faculdade de absolvição de quem praticou o aborto a todos os sacerdotes, mantendo assim a prática do Ano Jubilar da Misericórdia que se concluiu este domingo.

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“Para que nenhum obstáculo exista entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo a partir de agora a todos os sacerdotes, em virtude do seu ministério, a faculdade de absolver a todas as pessoas que incorreram no pecado do aborto”, escreve, no número 12 da carta apostólica ‘Misericórdia e Mísera’, divulgada esta manhã pelo Vaticano.

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Francisco precisa que aquilo que concedera a todos os padres, de forma limitada ao período jubilar, fica agora “alargado no tempo, não obstante qualquer disposição em contrário”.

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“Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente; mas, com igual força, posso e devo afirmar que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir, quando encontra um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai”, explica.

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O Papa espera que os sacerdotes católicos sejam “guia, apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes neste caminho de especial reconciliação”.

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A prática do aborto implica, segundo o Direito Canónico, a excomunhão ‘latae sententiae’ (automática), exigindo até agora a confissão ao bispo (ou os padres a quem o bispo desse essa faculdade) para a remissão da pena.

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Francisco decidiu ainda manter o serviço dos “Missionários da Misericórdia”, mais de mil sacerdotes de vários países, incluindo Portugal, que foram enviados no ano santo extraordinário (dezembro 2015-novembro 2016) para promover o perdão dos pecados.

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“Desejo que permaneça ainda, até novas ordens, como sinal concreto de que a graça do Jubileu continua a ser viva e eficaz nas várias partes do mundo”, adianta o Papa.

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A carta anuncia também que os fiéis que assim o desejarem podem continuar a confessar-se nas igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, um gesto explicado com o desejo de restabelecer “a plena comunhão na Igreja Católica”.

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O pontífice argentino pede a todos os padres que se preparem com “grande cuidado” para o ministério da Confissão, acolhendo cada pessoa com misericórdia e comunicando o amor de Deus.

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“Isto requer, sobretudo por parte do sacerdote, um discernimento espiritual atento, profundo e clarividente, para que toda a pessoa sem exceção, em qualquer situação que viva, possa sentir-se concretamente acolhida por Deus”, escreve.

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Francisco deseja uma redescoberta do “ministério da reconciliação”, particularmente valorizada em iniciativas como as ‘24 horas para o Senhor’, na Quaresma.

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“Que a ninguém sinceramente arrependido seja impedido de aceder ao amor do Pai que espera o seu regresso e, ao mesmo tempo, a todos seja oferecida a possibilidade de experimentar a força libertadora do perdão”, apela.

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A nova carta apostólica propõe ainda iniciativas para a valorização da Bíblia na vida dos católicos, sugerindo às comunidades que escolham um domingo do ano litúrgico para “renovar o compromisso em prol da difusão, conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura”.

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‘Misericordia et misera’ foi assinada publicamente este domingo, na Praça de São Pedro, após o final da Missa que encerrou o Jubileu da Misericórdia, 29.º Ano Santo na história da Igreja Católica.

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Vaticano rejeita "laxismo" com a decisão do Papa

O Vaticano rejeitou hoje que o Papa esteja a promover o “laxismo” em relação à prática do aborto, comentando a decisão de alargar a todos os padres a possibilidade de perdoar estes casos, em Confissão.

“Não há qualquer forma de laxismo, pelo contrário, há uma forma com a qual se toma consciência da gravidade do pecado, arrependendo-se, e por isso se quer a reconciliação com o Senhor”, disse em conferência de imprensa D. Rino Fisichella, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização (CPPNE).

O responsável da Santa Sé apresentou aos jornalistas carta apostólica ‘Misericórdia e Mísera’, com a qual o Papa quis marcar o encerramento do Jubileu da Misericórdia (dezembro 2015-novembro 2016).

Neste documento, Francisco anuncia a decisão de alargar definitivamente a faculdade de absolvição de quem praticou o aborto a todos os sacerdotes, mantendo assim a prática do Ano Santo extraordinário.

O Papa não deixa de afirmar que “o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente”.

D. Rino Fisichella admite que a decisão do Papa pode implicar uma alteração no Código de Direito Canónico, que atualmente prevê a excomunhão ‘latae sententiae’ (automática) para a prática do aborto, exigindo a Confissão ao bispo (ou os padres a quem o bispo desse essa faculdade) para a remissão da pena.

O arcebispo italiano informou depois que as estimativas da Santa Sé apontam para um total de 950 milhões de fiéis que atravessaram as Portas Santas em Roma e nas dioceses de todo o mundo.

Só no Vaticano, o CPPNE contabilizou mais de 21 milhões de peregrinos, vindos de 156 países.

D. Rino Fisichella saudou a manutenção do serviço dos “missionários da misericórdia” para lá do Ano Santo extraordinário, outra decisão do Papa, revelando que “nalgumas zonas as confissões aumentaram 30%”.

No início da Quaresma deste ano, Francisco presidiu ao envio mais de mil sacerdotes de vários países, incluindo Portugal, para promover o perdão dos pecados.

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