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Santo Antônio Maria Claret


Nascido para evangelizar

Antônio Claret i Clará nasceu no dia 23 de dezembro de 1807, em Sallent (Espanha). É o quinto filho de uma família de onze irmãos. No ano do seu nascimento acontecia a invasão francesa da península Ibérica. Não são tempos fáceis, suas primeiras recordações estão marcadas pela guerra. Nem vê uma família acomodada. Seus pais não dispõem de outras rendas que sua capacidade empreendedora e seu trabalho constante na fábrica de tecidos que ocupava o andar térreo da casa da família. No lar aprendeu a orar e a trabalhar.

Sua educação e formação vêem-se afetadas pelo vai-e-vem de uma época agitada. Depois das primeiras letras, aprendidas na escola de Sallent, foi a Barcelona para uma formação específica, orientada a melhorar os negócios da família. Ele aprende, trabalha e estuda, enfrenta a vida, saboreia o êxito, experimenta a decepção e acaricia projetos ambiciosos; mas, movido pela Sagrada Escritura, descobre um horizonte novo e, ao completar 22 anos, ingressa no Seminário. A partir de então viveu para Deus e, num longo e intenso processo de discernimento, foi descobrindo sua vontade. Curiosamente, nunca esqueceu os estudos de técnica têxtil, deixou os teares, mas logo começou a tecer com o fio do Evangelho.

Viver para evangelizar

O Espírito do Senhor me ungiu e me envia (Is 61, 1)

Ordenado sacerdote em 1835 é destinado à sua cidade natal, onde enfrentou os desafios que Igreja passava na época, viveu junto ao povo atento às necessidades de seus irmãos e logo sentiu que Deus o chamava para algo mais, sentindo coração pulsava por uma evangelização sem fronteiras.


Em 1839, ofereceu-se à Congregação da "Propaganda Fide" para ser Missionário Apostólico: evangelizar como os apóstolos, edificar a Igreja onde fosse necessário. Ingressou no Noviciado da Companhia de Jesus (Jesuítas), mas depois de seis meses abandonou por causa de uma enfermidade. Regressou à sua diocese de origem, porém a vontade de ser Missionário Apostólico logo se verá confirmada com a nomeação oficial da Santa Sé para a propaganda da fé. Tem com isso a certeza de que Deus o queria missionário.


Claret pregou incansavelmente durante oito anos, percorrendo sua terra natal. Porém, seu sonho era de ir a outras terras se realizou em 1848, quando foi enviado às Ilhas Canárias. A atividade destes anos não se restringiu à pregação, mas se enriqueceu com o apostolado escrito, fundou a Livraria Religiosa, criou associações, atendia durante várias horas no confessionário, bem como direções espirituais. Na intensa pregação do Evangelho, Claret chegou a duas conclusões: o povo está faminto da Palavra de Deus, a messe é grande, o campo imenso e os operários são poucos. Este discernimento o fez procurar colaboradores que se sentissem animados pelo mesmo espírito evangelizador. Fundou, em 16 de julho de 1849, a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Missionários Claretianos).


Todos os seus projetos pareceu frustrarem-se quando, pouco depois de ter fundado a Congregação, foi nomeado Arcebispo de Santiago de Cuba. Mesmo assim, aceitou a nomeação por obediência, porém com clara determinação de ser um Arcebispo Missionário. Os seis anos que passou em Cuba foram transformados em uma grande campanha evangelizadora. Tudo o que aprendera aplicou ao seu serviço missionário. Preocupou-se tanto pela formação moral, catequética e cristã como pela educação, a promoção social e a dignificação humana dos fiéis da diocese. Nesse período colaborou com Antônia Paris na fundação da Congregação das Religiosas de Maria Imaculada (Missionárias Claretianas).


Como toda grande personalidade não só teve colaboradores eminentes, mas também reuniu inimizades. Em 1856, em Holguín, sofreu um atentado que quase acabou com sua vida. Chamado pela rainha Isabel II para ser seu confessor, em 1857, deixou Cuba e regressou a Espanha.


Um pássaro em gaiola de ouro