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Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face


Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face (1873-1897)

Maria Francisca Teresa Martin nasceu em Alençon, França, no dia 2 de janeiro de 1873, cercada de grande afeto e educada pelos pais, Zélia e Luís Martin, segundo sólidos valores cristãos. Foi batizada dois dias depois do nascimento, tendo como madrinha a irmã mais velha, Maria (1860-1940), que depois se tornaria irmã Maria do Sagrado Coração. Teresa era a caçula de cinco irmãs, todas as quais se dedicaram à vida religiosa. Além de Maria, havia Paulina (1861-1951) ­ futuramente, madre Inês de Jesus; Leônia (1863-1941) ­ depois irmã Maria Francisca Teresa; e Celina (1869-1959) ­ mais tarde irmã Genoveva da Sagrada Face. O casal Martin teve outros quatro filhos, que morreram ainda na infância. Chegou-se a temer que Teresa tivesse o mesmo fim pois, desde o início da vida, a pequena sofria com crises de enterite. Não tendo a Sra. Zélia Martin como alimentar a caçula, confiou-a a uma ama de leite que morava numa aldeia distante cerca de duas horas de Alençon. Ali Teresa permaneceu de março de 1873 a abril de 1874, quando retornou a casa.


Depois desse percalço, Teresa teve uma infância extremamente feliz. Todos os escritos de sua mãe dão conta de que ela era uma criança alegre, esperta, carinhosa e obstinada. E assim permaneceu até os quatro anos, ocasião em que sua mãe morreu de câncer (em 28 de agosto de 1877). Antes desse evento, diz Teresa, “tudo me sorria na terra. Deparava com flores a cada passo que desse, e minha boa índole contribuía também para me tornar a vida agradável. Ia, porém, começar um novo período para minha alma. Devia passar pelo cadinho da provação e sofrer desde a minha infância, a fim de que pudesse ser oferecida mais cedo a Jesus. Assim como as flores da primavera começam a germinar debaixo da neve e desabrocham aos primeiros raios de sol, assim também a florinha (…) teve que passar pelo inverno da provação” (Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face. História de uma alma: manuscritos autobiográficos. 2ª. ed., São Paulo: Paulus, 2008. p. 45). Sem a Sra. Martin, cujo sofrimento durante a doença permanecera vivo na mente de Teresa por muitos anos, a caçula da família escolheu a irmã Paulina como sua “segunda mãe”.


Após a morte da esposa, o Sr. Martin decide mudar-se para a cidade de Lisieux, por insistência de seu cunhado, Isidoro Guérin. Instalados na casa conhecida como “Os Buissonnets”, tinham contato frequente com os tios maternos de Teresa, que ajudaram em sua educação, e com as primas Joana e Maria. Nesse período (entre os quatro e os 14 anos), Teresinha identifica, após a infância extremamente feliz, o segundo e mais doloroso momento de sua vida ­ especialmente depois do ingresso de Paulina no Carmelo, em outubro de 1882. A menina antes extrovertida torna-se tímida, passa a chorar com facilidade e diz só sentir-se bem em família.


Com oito anos e meio, Teresa, que até essa idade havia estudado em casa, com as irmãs Maria e Paulina, entrou para um pensionato mantido por monjas beneditinas na Abadia de Notre-Dame-du-Pré, em Lisieux, onde estudou até os 13 anos. Esse período foi muito difícil para a pequena Teresa, que considera os cinco anos que passou na abadia os mais tristes de sua vida. Não porque tivesse dificuldade com os estudos (ao contrário, era quase sempre a primeira da turma, embora tenha entrado em classe de alunas mais velhas que ela, graças à boa educação que tivera em casa), mas porque se sentia deslocada, não gostava de brincar da forma como as outras crianças brincavam, “parecia-lhe […] muito desagradável viver entre flores de toda espécie, com raízes às vezes um tanto grosseiras […]” (op. cit., p. 66). Depois que deixou a abadia, continuou sua educação tomando aulas semanais com uma professora particular, Sra. Papineau.


Teresa tinha nove anos quando sua “segunda mãe” entrou para o Carmelo, fato que lhe deixou desolada e que intensificou a dor da ainda não cicatrizada ferida pela perda da mãe. Com esse acontecimento, diz ter compreendido “num instante” o que era a vida: sofrimento e separação contínua. Diz ela: “derramei lágrimas bem amargas, pois ainda não compreendia o gozo do sacrifício” (op. cit., p. 72). No entanto, quando sua doce “mãe” lhe explicou como era a vida no Carmelo, Teresa quis seguir o mesmo caminho, não por Paulina, “mas por Jesus tão somente” (op. cit., p.73). Compreendendo que aquele era um chamado divino, Paulina levou a irmã para visitar a madre priora do Carmelo, Maria de Gonzaga, que acreditou na sinceridade do desejo e na vocação de Teresa, mas advertiu-lhe que seria preciso aguardar até os 16 anos.


Frágil emocional e fisicamente, aos 10 anos de idade a “rainhazinha” do Sr. Martin é acometida de uma doença de diagnóstico incerto. Certa noite, após um passeio com o tio em que ele lhe falou sobre sua mãe, Teresa começou a ter tremores, anorexia, alucinações, que se agravaram até que ficou sem poder falar. Os médicos não conseguiam nem mesmo fazer um diagnóstico de sua enfermidade. No entanto, ela foi instantamente curada após um sorriso de uma imagem de Maria Santíssima, a quem a família invocava sob o título de Nossa Senhora das Vitórias, que se encontrava em seu quarto –­ daí a origem da devoção à “Virgem do Sorriso”. Formidavelmente, tudo isso aconteceu num dia 13 de maio, porém o ano era 1883 ­­– mais de 30 anos antes da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima (em 1917).


Em 8 de maio de 1884, Teresa faz sua primeira comunhão, motivo de grande júbilo para toda a família. O acontecimento foi comparado por ela a um beijo de amor, ou, mais ainda, a uma fusão de amor com Jesus. No dia 14 de junho do mesmo ano, recebeu o sacramento da Confirmação, tendo sido sua madrinha a irmã Leônia. “Nesse dia”, diz ela, “recebi a força de sofrer, pois logo em seguida devia começar o martírio de minha alma…” (op. cit., p. 95). A Florzinha branca, que já havia muito pensava em seguir o caminho da irmã Paulina, acalentava cada vez mais o sonho de ser carmelita. Mas antes dela foi a vez da irmã mais velha, Maria, entrar para o Carmelo (para o mesmo convento onde se encontrava Paulina), em 15 de outubro de 1886.


Por volta