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  • Sérgio Fadul - Heroínas da Cristandade

Santa Ema da Saxônia


Duas são as santas com esse nome: Ema de Gurk (Áustria) e Ema da Saxônia (Alemanha). Muitos detalhes de suas vidas são semelhantes. Viveram no mesmo século (XI), ambas de nobre família, ambas casaram-se e enviuvaram ainda jovens, repartiram seus bens com os pobres e levaram vida austera, dedicadas à oração e a obras de caridade.


Ema de Gurk, fundadora de dois mosteiros, morreu a 27 de maio de 1045, enquanto Ema da Saxônia a precedeu cinco anos, uma vez que morreu a 19 de abril de 1040. No mosteiro de São Liutgero em Werden, no Ruhr, perto de Dusseldorf, inexplicavelmente longe da Saxônia, conserva-se uma relíquia da santa: uma mão prodigiosamente intacta.


Um cronista alemão do mesmo século, Adão de Bremen, na sua História eclesiástica, nos dá informação sobre uma “nobilíssima Ema”, irmã de Meinverk, Bispo de Paderbom (morto em 1036), e esposa do Conde Liutgero da Saxônia.


O conde morreu muito precocemente. Ema, apesar de ser muito jovem, bela, inteligente e com muitos pretendentes, livremente decidiu consagrar sua viuvez inteiramente ao Senhor. Sem filhos, se manteve constante em seu novo programa de vida, baseado na total dedicação às obras de caridade.


Generosa nas doações e no socorrer os outros, mas austera e intransigente consigo mesma, procurou a perfeição no difícil estado de viuvez, uma condição bastante incômoda para uma mulher que ficou só, exposta a mil insídias porque sem apoio e tornada alvo dos cálculos interesseiros de parentes próximos e afastados.


“Tu és jovem? – lê-se numa fervorosa prédica de São Bernardino de Sena dirigida às viúvas cristãs. Faze com que tua carne seja disciplinada. Quero que aprendas a viver como religiosa. Sê autêntica em tua alma. Queres marido? Toma-o em nome de Deus, livra-te dele. Mas nunca mais terás consolação... Assim seria melhor permaneceres viúva, servir a Deus do melhor modo que puderes, enquanto durar a tua vida”.


Ema havia escolhido esta última maneira de servir a Deus, a mais difícil e rara. Sua mão, que chegou intacta até nós, nove séculos e meio após sua morte, é sinal certo da sua mais característica virtude: a generosidade.


Sem filhos naturais, Santa Ema tornou-se mãe espiritual de uma multidão de pessoas. Verdadeira serva de Cristo, serviu o seu esposo celestial com a oração e a caridade, merecendo a devoção não de um marido, mas de milhões de cristãos que já há mais de nove séculos a honram com um culto público.


Ema faleceu em 1040; ganhou o Céu como prêmio de quem soube rejeitar as propostas do mundo para viver a castidade e o amor aos pobres. Seu corpo, sem aquela mão de que se falou, repousa na catedral de Bremen.


Etimologia: Ema = gentil, fraterna, nutriz, do alemão antigo.


Santa Ema, rogai por nós!



MARTIROLÓGIO ROMANO

19/04


1. Na África Proconsular, São Mapálico, mártir, que, durante a perseguição do imperador Décio, movido pela piedade familiar, recomendou que à sua mãe e à sua irmã, impelidas sob tortura à apostasia, fosse concedida a paz eclesiástica, enquanto ele foi levado ao tribunal e coroado com o martírio. A ele se associa a memória de muitos outros santos mártires, que deram testemunho da sua fé em Cristo, entre os quais Basso na pedreira, Fortúnio no cárcere, Paulo no tribunal, Fortunata, Vitorino, Vítor, Herémio, Crédula, Hereda, Donato, Firmo, Venusto, Fruto, Júlia, Marcial e Aristão, todos eles mortos de fome no cárcere.

(† 250)


2. Na antiga Pérsia, Santa Marta, virgem e mártir, que, no tempo do rei Sapor II, sofreu o martírio no dia seguinte ao assassínio do seu pai Pusício, no dia da Ressurreição do Senhor.

(† 341)


3. Em Antioquia da Pisídia, na atual Turquia, São Jorge, bispo, que morreu no exílio por defender o culto das sagradas imagens.

(† 818)


4*. Em Friesen, localidade dos Alpes da Baviera, na atual Alemanha, São Geroldo, eremita, que, segundo a tradição, viveu em regime de rigorosa penitência na região de Voralberg.

(† c. 978)


5. Na margem do Tamisa, junto de Greenwich, na Inglaterra, a paixão de Santo Elfego, bispo de Cantuária e mártir, que, durante a devastação sangrenta dos Dinamarqueses na cidade, se ofereceu a si mesmo para poupar o seu povo e, recusando ser resgatado por dinheiro, foi cruelmente ferido com ossos de animais e finalmente degolado.

(† 1012)


6. Em Roma, junto de São Pedro, São Leão IX, papa, que, depois de defender valorosamente a Igreja como bispo de Toul durante vinte e cinco anos, foi eleito para a sede romana, onde, em cinco anos, convocou vários sínodos para reformar a vida do clero e extinguir a simonia.

(† 1054)


7*. No mosteiro de Saint-Bertin, no território de Therouanne, na França, o passamento de São Bernardo Penitente, que, para expiar com rigorosa penitência os pecados da juventude, decidiu partir para o exílio e, descalço, com vestes de feltro e contentando-se com parco alimento, seguiu incansavelmente em peregrinação para a Terra Santa.

(† 1182)


8. Em Londres, na Inglaterra, o beato mártir Jaime Dukett, homem casado, que, denunciado por vender na sua livraria livros católicos, esteve preso durante nove anos e foi enforcado no reinado de Isabel I, juntamente com o seu denunciante, a quem, prestes a morrer, incitou a aceitar a morte pela fé católica.

(† 1602)




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