• Igreja Matriz Nossa Senhora da Glória

Documento da nossa história

Um achado importante: a história da nossa Paróquia, contada em 1873, a pedido do quarto pároco, padre Joaquim José da Costa Guimarães. Em nossos relatos existe a presença de outro padre à frente da paróquia, mas pode ser em momento de transição.


Depois irei incrementar imagens relativas ao texto...


A resolução da assembleia legislativa, sancionada pelo decreto de 9 de agosto de 1834, criou a freguesia de Nossa Senhora da Glória desmembrada da freguesia de São José; autorizou o governo a marcar os limites, e prescreveu que o provimento da igreja só se realizaria depois que estivesse preparada a matriz com a necessária decência.

O decreto de 30 de outubro do mesmo ano determinou os limites da nova freguesia, confinando por um lado com os da freguesia da Lagoa, no fim das ruas do Senador Vergueiro e Márquez de Abrantes, e por outro lado, com os da freguesia de São José, tendo por divisa uma linha que, partindo do muro do Passeio Publico ao beco do Império, se estendesse até o alto do morro de Santa Tereza, junto ao aqueduto da Carioca.

Era então juiz de paz daquele distrito o cidadão António Joaquim Pereira de Velasco, que possuindo uma capela, consagrada á Nossa Senhora dos Prazeres, em sua chácara da rua das Laranjeiras esquina da do conselheiro Pereira da Silva, ofereceu-a para servir provisoriamente de matriz.

Em 26 de janeiro de 1885 reuniram-se vários cidadãos importantes da nova freguesia, na casa do juiz de paz, e resolverão fundar a irmandade do Sacramento da respectiva freguesia ; de feito, convocados em 15 de fevereiro sob a presidência do juiz de paz, procederam a eleição da primeira mesa administrativa, e admitiram provisoriamente o compromisso da irmandade do Sacramento da freguesia de São José.

Em 19 de março a administração da irmandade aceitou a capela de Velasco para matriz provisória, porém, reconhecendo ser esse edifício de acanhadas dimensões, encarregou ao provedor Domingos José Teixeira e ao escrivão João Silveira do Pilar de comprarem uma capela erguida em 1720, na face meridional do Largo do Machado, e que fora reconstruída em 1818, pela rainha Carlota, que residira na casa próxima, passara a ser do domínio de António José de Castro.

Comprada essa capela em 4 de abril de 1835, por 2000$000, para dar-lhe a decência necessária, como determinara o decreto da criação da freguesia, dispendeu a irmandade 3050$000, que com o custo da capela e despesas de transmissão, fez subir o dispêndio a 5187$000 (Agradecemos ao Sr, Fernando António Pinto de Miranda os documentos que forneceu-nos, quer relativos à esta igreja, quer á matriz da freguesia da Candelária.)

Trasladaram-se para ali as imagens ; mas apesar de ser essa capela maior do que a de Pereira Velasco, de achar-se em um ponto mais central e mais populoso da nova freguesia, viu-se que, aumentando de dia para dia a população da paróquia, não tinha esse recinto religioso proporções para servir de matriz ; assim resolveu a irmandade dar principio a construção de um templo vasto, e, em sessão de 23 de abril de 1837, autorizou ao irmão provedor a obter um terreno pertencente a Domingos Carvalho de Sá situado com frente para o Largo do Machado e rua das Laranjeiras, onde podia ser levantada a igreja paroquial.

Opôs-se Carvalho de Sá á venda do terreno, firme, porém em seu intento, obteve a irmandade a concessão de cinco loterias por decreto de 20 de outubro de 1837 para a edificação da igreja, e por decreto de 28 de abril de 1840 a autorização para a câmara municipal ceder-lhe um terreno de dez braças, que possuía no Largo do Machado.

Ofereceu então Carvalho de Sá dez braços de terreno contíguas ás precedentes, achando-se compreendidas nelas uma nesga de terra pertencente a Francisco Marques Lisboa, com a condição de, fundada a matriz em treze braças para o largo e vinte para o fundo, dar-lhe a irmandade os dois pequenos terrenos que deviam ladear a igreja.

Aceitou a irmandade a oferta cora todas as condições ; mas em janeiro de 1842 a mulher de Francisco Marques Lisboa, com consentimento deste, deu procuração ao conselheiro José Antônio Lisboa para anular aquela transação, por ter sido cedido o terreno a Carvalho de Sá sem outorga sua.

Felizmente serenou esta questão sem prejuízo da irmandade, por que em 20 de fevereiro de 1842 declarou Carvalho de Sá, em mesa conjunta, que cedia à irmandade todo o terreno ao lado daquele em que se levantasse a matriz, e confirmada essa cessão por sua mulher em 26 de fevereiro de 1842, foi retificada em agosto de 1861 por todos os herdeiros.

Ficou determinado em 26 de junho de 1842 que, em 17 de julho, se lançaria a primeira pedra do novo templo: de feito celebrada nesse dia a festa do Sacramento, comparecerão ao lugar o Imperador, o bispo e a irmandade, e com as cerimônias do estilo, colocou-se a pedra fundamental com a seguinte inscrição :

Debaixo da Protecção Divina Os Piedosos Fregueses da Freguezia da Gloria Se Reunirão para Levantar Esta Freguezia Em Honra da Beatíssima Virgem Maria Debaixo do Especioso Titulo Da Senhora Da Gloria Precedendo Doações Publicas e Particulares. A pedra Fundamental Deste