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Santa Maria Madalena de Pazzi

Atualizado: Jul 13



“Pelo abandono total, se faz morrer a si mesma em Deus, não deseja conhecê-lo, nem entendê-lo, nem experimentá-lo. Nada quer, nada sabe e nada deseja poder” – essa é a via do “amor morto” pregada pela santa.


Nasceu no ano de 1566 em Florença, na Itália, e pertenceu a uma nobre família. Muito cedo se viu chamada à vida religiosa e queria consagrar-se totalmente. Abandonou tudo: os bens e os projetos. Entrou para a Ordem Carmelita e ali viveu por 25 anos. Uma aventura espiritual mística que resultou em uma grande obra com suas experiências carismáticas. Ela amou a cruz de cada dia. Sofreu com várias enfermidades até que entrou no Céu, com 41 anos. Seu lema foi: “Padecer, Senhor, e não morrer!”

“Ó Amor, que não sois conhecido nem amado, como sois ofendido!”… Estas misteriosas e sublimes palavras ecoavam pelos muros do mosteiro carmelita de São Fridiano, em Florença, naquela tarde de inverno de 1584. Irmã Maria Madalena de Pazzi, então noviça de 18 anos, as havia pronunciado com lábios trêmulos, o rosto inflamado e banhado em lágrimas.


Surpresas, as irmãs não sabiam o que pensar: conheciam a piedade da sua jovem companheira, mas nunca a tinham visto nesse estado de exaltação, prestes a desmaiar. Tomaram-na nos braços, julgando-a acometida de súbita doença, e procuraram acalmá-la; mas, durante duas horas, ela parecia nada ver, nem ouvir, dominada tão somente por esta ideia: Deus é Amor, e não é amado!


Eleita por Deus

Deus, Senhor da História, atende sempre às necessidades de cada era suscitando almas santas que – pelo exemplo pessoal, pela sua pregação e escritos, ou ainda pela abertura de uma nova via de perfeição – arrostam os erros de seu tempo, chamando as pessoas extraviadas para a conversão.


No século XVI a península italiana se caracterizava por uma visualização antropológica do universo onde o homem – com seus valores e qualidades, mas também com suas deficiências – tomava o lugar principal. Para se contrapor a esse desvio, “toda a espiritualidade italiana do século XVI está impregnada pelo tema do amor total. Caminhos diversos unem-se no anseio comum do amor teocêntrico, que parece brotar como flor de contradição do tronco do humanismo renascentista”.


Nesse contexto, nascia na cidade de Florença, berço e âmago da Renascença italiana, em um suntuoso palácio situado ao sul do histórico duomo, na esquina da Via del Proconsolo com o Borgo degli Albizi, em 2 de abril de 1566, Catarina de Pazzi, filha única de Camillo di Geri de’ Pazzi e de Maria Lourenço Buondelmonti, ambos de ilustres famílias da República.


Seus pais educaram com esmero a menina de rara beleza, e nela depositavam as esperanças de um futuro brilhante na vida social, na qual poderia sobressair-se graças a seus dotes naturais e ao parentesco do pai com a prestigiosa casa dos Médici.

Catarina, de fato, estava destinada a reluzir nos céus da História, mas não precisamente segundo as ilusões de seus progenitores.


“Sinto o perfume de Jesus!”


Desde a infância, Catarina deu mostras de ser uma alma eleita. Quando pequena, encontrava maior prazer no silêncio, na oração e nas práticas de piedade do que nas brincadeiras próprias à idade, e era para ela a recreação mais agradável ensinar o Credo, o Pai Nosso e a Ave-Maria às crianças camponesas. Dotada de grande força de vontade e de um temperamento ardoroso e veemente oriundo de seu sangue toscano, mostrava-se, no entanto, sempre obediente e afável com seus pais e superiores.