• Sérgio Fadul / Mercedários

São Pedro Nolasco



Pedro Nolasco nasceu no dia 29 de julho de 1183, no pequeno povoado de Mas-Saintes-Puelles da Diocese de Saint Paul, no sul da França, no antigo condado de Languedocentre Tolosa e Carcasona. Seu pai era um comerciante abastado e sua mãe dona de casa, ambos fervorosos cristãos o levaram para batizar e lhe impuseram o nome cristão de Pedro.

O pequeno Pedro manifestou sempre uma doçura como virtude específica. Conta a lenda do seu tempo que, certo dia estando no berço entrou um enxame de abelhas no quarto onde a criança repousava tranquila e deixaram um favo de mel nas suas mãozinhas. Sinal da doçura que destilaria Nolasco durante toda a sua vida.


A época de Pedro Nolasco foi para os países ao redor do mar Mediterrâneo uma época de guerras religiosas em que se digladiavam a cruz de Cristo e a meia lua de Mahomed. Semeando a desolação nos lares mais organizados, tanto de ricos abastados como de pobres em que muita gente era aprisionada e feitos cativos em nome de Alá (Deus). Algo parecido com o que acontece hoje com o chamado estado islâmico.Homens e mulheres, adultos, jovens e crianças, eram submetidos a um duro cativeiro, obrigados a realizarem trabalhos pesados. As mulheres eram usadas nos mais baixos instintos, principalmente jovens que eram violentadas. Seres humanos que se tornavam mercadoria em mãos daqueles que se diziam seus donos.


O pai de Pedro Nolasco transferiu-se para Barcelona, onde se estabeleceu como rico mercador. O jovem Nolasco acompanhava seu pai nesta tarefa de mercadejar nas cidades litorâneas onde o seu pai vendia a mercadoria e muitas vezes Pedro testemunhava os maus tratos dos infelizes cativos. Alguns desses cativos eram oferecidos também como mercadoria. A alma de Nolasco se afligia e ele prometia a Deus que aliviaria o sofrimento destes irmãos abandonados à sorte.


Em 1203, com 20 anos, encontramos Pedro Nolasco comprando cativos. Dava liberdade as pobres infelizes, devolvendo-lhes às suas famílias. Com a morte de seus pais, o jovem Nolasco herdou toda a fortuna da família a qual renunciou em benefício da redenção dos cativos.


‘’Ninguém tem maior caridade do que aquele que dá a vida pelo irmão.” Estas palavras martelavam profundamente a alma do jovem Nolasco, que unido a outros jovens, moças e rapazes não se entregavam somente a redenção de cativos, mas gastavam suas horas entre os empestados no Hospital de Santa Eulália.

Além da invasão árabe entre os espanhóis, mais uma desgraça se abatia sobre o povo. Uma peste que dizimava as cidades afetava as multidões sendo insuficiente o atendimento hospitalar (como hoje o ebola ou a dengue). Então nossos jovens cheios de amor ao próximo sofredor cuidavam dos enfermos. Este Hospital mais tarde formou parte da estrutura das redenções, pois os cativos eram levados para uma quarentena e lá tratados com todo carinho.


Os recursos econômicos minguaram, as moedas guardadas nos cofres não davam mais para comprar tão rica mercadoria e o número de cativos cada vez crescia mais. Em uma certa noite, Nolasco não conseguia conciliar o sono e pôs-se a rezar e pedir à mãe do céu, de quem era profundamente devoto, que o auxilia-se. Eis que a noite se iluminou e lá estava Maria amorosa com um branco hábito em suas mãos. ‘’Nolasco’’, disse a Mãe de Jesus, ‘’É vontade de meu filho e vontade minha que fundes uma Ordem religiosa para remir os cativos. Eis que nós estaremos sempre contigo.’’ Quando Pedro Nolasco voltou a si, a linda Senhora havia desaparecido.


Nolasco esperou amanhecer e correu para contar o sucedido ao seu confessor Raimundo de Peñafort e ambos foram contar ao Rei Dom Jaime I de Aragão e ao bispo de Barcelona Dom Berenguer de Palau que aprovaram entusiasmados a inspiração de Pedro Nolasco. No dia 02 de agosto de 1218., o rei achou por bem ter uma Organização do reino para redenção dos cativos, desejo falido do rei Afonso II. Dez dias depois, no dia 10 de agosto do mesmo ano, a harmonia do órgão e os cantos enchiam a catedral de Barcelona.

Uma nova Ordem religiosa constituía-se oficialmente e um grupo de jovens de saiotes brancos proclamavam as grandezas de Deus por meio de Maria Santíssima e emitiam três votos comuns as ordens religiosas: dominicanos, franciscanos, servitas, agostinianos, trinitários e etc.


Mas a vontade daquele grupo movidos pela caridade ainda gritaram, perante os fieis reunidos no templo um quarto voto: “daremos nossas vidas, se necessário for, para tirar do cativeiro um irmão necessitado”. Voto heroico que custou à Ordem Mercedária alguns milhares de vidas e muito sangue derramado, imitando assim o Redentor dos homens, Jesus, que São Pedro Nolasco tão bem imitou durante toda a sua vida.


Esta Ordem recebeu muitos nomes. Chamou-se Ordem de Santa Eulália; Ordem das Mercês dos cativos, Ordem da Redenção dos cativos; Ordem das Mercês. Desde 1272 o verdadeiro nome é: Ordem da Virgem Maria das Mercês da Redenção dos Cativos.

Logo apareceu a Rama feminina, as freiras, fundada por Santa Maria de Cervellón, com um grupo de moças que ajudaram muito a Pedro Nolasco e seus religiosos orando na capela pelo êxito da redenção.


São Pedro Nolasco preocupou-se sempre em ser fiel imitador de Cristo, não só na caridade, mas também nos gestos e atitudes. Este varão de Deus dedicou toda a sua vida a serviço do próximo vendo em cada sofredor o próprio Cristo. Os historiadores mais recentes dizem que ele morreu em Barcelona, no dia 06 de maio de 1245.

Para melhor realizar sua missão, sua ‘’equipe’’ se constituía de clérigos, irmãos de obediência; donados, amigos piedosos que permaneciam com os religiosos ajudando nos vários serviços domésticos e mais tarde emitiam os votos; terciários, leigos que viviam com sua família, mas participavam dos bens espirituais da Ordem, e em momentos determinados da história fez-se mister grupos armados para defender os navios ou outros transportes dos cativos da pirataria. Viviam em seus castelos e usavam armas. Às vezes eram requisitados pelo rei para exercer sua guarda.

A missão principal de todos era recolher esmolas pagar o resgate de cativos. Que muitas vezes era insuficiente e, se o cativo estivesse numa situação grave um ou dois redentores deveria ficar como refém até ser resgatado.