• Sérgio Fadul

Santa Genoveva


SANTA GENOVEVA


Virgem (Padroeira de Paris, França). Uma história maravilhosa.

Vivendo entre dois mundos — o da Gália romana, que se extinguia, e de cujo desmoronamento foi testemunha, e o da Gália franca, que nascia de suas cinzas e em cuja conversão trabalhou denodadamente — Santa Genoveva serviu de ponto de união entre romanos e bárbaros. E recebeu de Deus a missão de transmitir a fé católica dos vencidos aos vencedores, preparando assim as sementes daquela que seria a nação cognominada Filha Primogênita da Igreja, a França.

Corria o ano 400 de nossa era. O gigantesco Império Romano do Ocidente vivia seus últimos dias. Na província romana da Gália (atual França), em meio aos pagãos que ainda faziam sacrifícios humanos ao deus Thor, o cristianismo começava a lançar suas raízes quando, vinda de além Reno, uma horda de bárbaros devastou a região quase sem encontrar resistência. “Por que os gauleses, outrora tão bravos, não se defenderam? Porque os romanos, com seu luxo, tinham-lhes dado sua moleza e seus vícios”. Com o tempo, a vida recomeçou com os novos bárbaros sendo assimilados pela população do país.


Foi nesse período que, no ano 422, na pequena cidade de Nannetodorum (hoje Nanterre), nos arredores de Paris, nasceu em uma família cristã Genoveva, que tão importante papel desempenharia na vida da futura nação convertida ao cristianismo.

Instrumento de grandes maravilhas


São Germano exortou Santa Genoveva a consagrar-se inteiramente a Deus. Seus pais, Severo e Gerôncia, sendo católicos fervorosos, procuraram formar a filha nos mesmos princípios religiosos. Dócil e sempre aberta à ação da graça, Genoveva crescia de modo análogo ao do Menino Jesus: “em graça e santidade diante de Deus e dos homens”.


Quando tinha de sete a oito anos, em 430, passaram por Nannetodorum os Bispos Germano, de Auxerre, e Lobo, de Troyes. Enviados pelo Papa São Celestino I, esse dois luminares da Igreja na época, dirigiam-se à Inglaterra a fim de combater uma perniciosa heresia defendida pelo monge Pelágio. Toda a população católica reuniu-se para ouvir o sermão que Germano pregaria. Como os que são amigos mais íntimos de Deus logo se reconhecem, o grande Prelado discerniu, entre seus ouvintes, a menina Genoveva, que trazia na fronte o sinal dos eleitos.


Quis saber quem era, e falar com seus pais. Quando estes se apresentaram com a filha, São Germano, pondo a mão na cabeça da menina, disse: “Bendito dia aquele em que o Senhor vos concedeu tal filha; os anjos a saudaram sem dúvida no seu nascimento, e Deus Nosso Senhor a destina a ser instrumento de grandes maravilhas”.


Voltando-se depois para Genoveva, exortou-a a consagrar-se inteiramente a Deus e a não ter outro esposo que Jesus Cristo. A menina respondeu-lhe que nunca tivera outro desejo senão o de viver como virgem cristã. O Bispo, vendo no chão uma moeda, na qual estava gravada uma Cruz, tomou-a e, entregando-a a Genoveva, recomendou-lhe que a usasse ao pescoço como sinal de sua consagração a Jesus Cristo. Segundo alguns autores, é este o primeiro exemplo que se conhece do uso de medalhas ao pescoço.

Certo dia de festa, sua mãe, que por qualquer motivo não estava de bom humor, negou-lhe permissão para ir com ela à igreja. Como Genoveva insistisse, alegando que havendo se tornado esposa de Jesus Cristo tinha obrigação de servi-Lo do melhor modo, a genitora, irritada, deu-lhe uma bofetada, ficando cega no mesmo instante. Depois de um ano de cegueira, iluminou-se o espírito de Gerôncia, que reconheceu no castigo uma justa punição de Deus. Pediu então à filha, cuja virtude agora reconhecia, que lhe trouxesse água do poço, fazendo sobre ela o sinal da Cruz e lavando-lhe os olhos.


Neste momento, a cegueira foi curada. O episódio revela a humildade da mãe e o Dom dos milagres de que já era dotada a filha.

Na cidade da qual seria a Padroeira