• Sérgio Fadul / Santos e Beatos Católicos

São Pedro de Alcântara


São Pedro de Alcântara, Presbítero Franciscano. Reformador da Ordem Franciscana, grande Místico.

São Pedro de Alcântara, um dos maiores luzeiros da Igreja.


Nascido em Alcântara, pequena cidade da província de Estremadura, na Espanha, em 1499. Juan Garavito era seu nome de batismo. Seu pai, homem de grande influência política e econômica, Don Alonso Garavito, era advogado e governador da cidade; sua mãe, Dona María Vilela y Salabria, era de família nobre, possuidora de forte personalidade e de grande virtude. Juan estudou na escola local e, antes de concluir seus estudos de filosofia, seu pai vem a falecer, em 1507. Com a idade de 12 anos, seu padrasto, Alonso Barrantes, o envia para a Universidade de Salamanca, para a continuação de seus estudos

Como religioso, procurou sempre mais uma vida de maior austeridade, escolhendo sempre os trabalhos mais humildes; era um jovem muito preocupado com a formação pessoal...

Logo se tornou um estudante singular, pela sua aplicação às disciplinas acadêmicas, pela sua dedicação às pessoas carentes nas suas visitas aos doentes nos hospitais e pela sua constante inquietação sobre o sentido de sua vida e como consagrá-la a Deus de todo o coração. Durante as férias de verão, não se interessa nos passeios costumeiros, mas sim, passa a visitar os mosteiros do seu tempo e sonha em se consagrar a Deus, mas as formas de vida religiosa do seu tempo não o satisfazem. Pede a Deus, então, incessantemente que mostre o caminho, chegando um dia em que, após o término de suas aulas, ao ficar em oração em uma Igreja, vê entrar aqueles homens, todos com grande e extraordinária humildade de vida, vestidos de marrom, com uma corda de três nós e "descalços".


Como que impelido pelo Espírito Santo, lança-se ao encontro dos frades, conta-lhes a angústia que sente e pede orientação e é plenamente compreendido por Frei Francisco Fregenal da Custódia do Santo Evangelho. Estamos em 1515, quando então Juan, aos 16 anos de idade, resolve tornar-se "Franciscano Descalço", recebendo o hábito e o nome de Pedro de Alcântara, no convento de Manjaretes, situado entre Castela e Portugal.


Como religioso, procurou sempre mais uma vida de maior austeridade, escolhendo sempre os trabalhos mais humildes; era um jovem muito preocupado com a formação pessoal, preparando-se adequadamente por um estudo tranqüilo e meditativo dos manuais de ciências eclesiásticas, pastorais e ascético-místicos. Sobretudo alimentou sua formação com as obras atribuídas a São Boaventura, os Fioretti de São Francisco e com o estudo da Sagrada Escritura, especialmente os evangelhos, cujas passagens prediletas para sua meditação e vida espiritual eram Mt 5,1-20 e Lc 6,20-30, todos os dois textos sobre As bem-aventuranças. Dizia aos seus confrades quando lia o Evangelho e invocava o mistério da Encarnação: "Quando lerdes o Evangelho, juntai as mãos e tende um profundo respeito. Esse livro trata do mistério sublime de um Deus que se fez homem por nosso amor".


Homem de admirável penitência


Sua cama, na qual dormia sentado e com a cabeça encostada na parede, era uma pele estendida no chão. A vigília era uma de suas práticas de austeridade mais radicais, sendo por este motivo escolhido como "o Santo padroeiro dos guardas noturnos".


Infelizmente é muito difícil e praticamente, para alguns, impossível recuperar o verdadeiro significado da palavra penitência, no seu sentido original e franciscano, para os nossos dias. Todos sabemos que qualquer movimento autêntico de renovação espiritual na Igreja tem no Evangelho seu código e seu modelo. Neste sentido, Pedro de Alcântara, assim como Francisco, descobre, na vida de penitência, o real caminho evangélico (Mt 3,2; Lc 13,5) como metanóia:"uma conversão que seja ao mesmo tempo teocêntrica (na direção de Deus), ética (fugir do mal e praticar o bem) e afetiva (amor para com Deus)". Resgatando-se, deste modo, o sentido de uma verdadeira vida de penitência, sendo São Pedro de Alcântara uma testemunha extraordinariamente atual de uma pessoa que realizou uma radical inversão de valores, deixando toda uma vida instintiva centrada no próprio "eu", entregando-se totalmente à vontade de Deus: "Ide, caríssimos, dois a dois, por todas as partes do mundo, anunciando aos homens a paz e a penitência". Penitência esta que gera insatisfação com a virtude já conquistada e a necessidade de voltar sempre às origens para progredir. A característica, por essência, de uma verdadeira penitência para Francisco como para Pedro de Alcântara, é a alegria, a alegria interior, humilde e entregue ao amor de Deus. Toda conversão sincera é contagiante e alegre.


São Pedro de Alcântara, de personalidade vigorosa e com o seu temperamento espanhol, apaixonou-se pela austeridade dos Carceri e do Alverne. Tornou-se o mais ascético dos franciscanos e um pregador incansável. Em certo momento vai à sua presença um nobre famoso chamado Conde de Oropesa, que muito se angustiava pelos males de sua época e pela mediocridade dos homens. A resposta do santo se assemelha à de Francisco quando respondeu a quem lhe perguntou se devia ou não repreender um pecador: "O remédio é simples. Tu e eu devemos, em primeiro lugar, ser o que devemos ser; em seguida, poderemos curar o que nos preocupa a nós mesmos. Que cada um faça o mesmo e tudo irá bem. O problema é que todos nós falamos em reformar os outros sem nunca reformarmos a nós mesmos".


A característica (...) de uma verdadeira penitência (...) é a alegria, a alegria interior (...). Toda conversão sincera é contagiante e alegre.


São Pedro de Alcântara manda que cada cela deva ter apenas sete pés de comprimento; que o número de frades em cada convento seja no máximo oito; que andem sempre descalços; meditação diária de três horas e não receber qualquer espórtula para celebrar missa. Era um religioso extraordinário como pregador de missões populares, franciscano de espírito e por convicção; o que possuía era apenas um hábito surrado, um breviário para as orações, um crucifixo tosco e um bastão, companheiro das viagens. Sua alimentação era a mais parca possível e jejuava constantemente. Recusava qualquer condução, indo sempre a pé por toda parte e sempre antes de suas atividades na cidade onde se encontrava, procurava a obediência do Guardião do convento franciscano do local.


Homem de altíssima contemplação