• Sérgio Fadul - Cruz Terra Santa e Wikipédia

Nossa Senhora de Nazaré


Nossa Senhora de Nazaré surge de uma antiga tradição cristã do primeiro século, que conta que o próprio São José esculpiu uma imagem de Maria em madeira, em Nazaré na Galiléia e que São Lucas Evangelista a pintou.


Mais tarde, a imagem foi levada para o mosteiro de Cauliniana, na Espanha. Depois, já no século VI, no ano de 711, foi levada para Portugal.


Imagem de Nossa Senhora de Nazaré é escondida


Com a invasão dos Mouros em Portugal, o rei Rodrigo, último rei visigodo da Península Ibérica, fugiu levando as relíquias de São Brás, São Bartolomeu e a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, junto com sua família e com Frei Romano que sempre o acompanhou.


Antes de morrer, Frei Romano escondeu a imagem numa gruta. A imagem ficou ali por mais de 400 anos. Ela foi descoberta em 1182, por pastores que andavam pela região. Por causa da sua simplicidade, beleza e diferença dos padrões de imagens, Nossa Senhora de Nazaré voltou a ser venerada.


Milagre de Nossa Senhora de Nazaré


O cavaleiro Diego Fuas Roupinho, que era Alcaide do porto de Mós e Almirante de Dom Afonso, assim foi salvo por milagre de Nossa Senhora de Nazaré: Ele perseguia uma caça num dia de muita neblina. A caça caiu num abismo por causa da cerração. O cavaleiro não sabia que corria para o abismo. Mas, antes caísse, ele vinha rezando a Senhora de Nazaré para que o protegesse.


De repente, então, o cavalo parou. A cerração se dissipou e ele viu que estava à beira de um abismo onde a caça tinha caído. Após esse milagre, a vila onde ocorreu passou a ser chamada de Vila de Nossa Senhora de Nazaré. Lá, foi construída uma pequena capela por Diego Roupinho, o cavaleiro salvo. Hoje existe ali uma grande Igreja em homenagem a Nossa Senhora.


Devoção a Nossa Senhora de Nazaré


Os Jesuítas foram os primeiros responsáveis em propagar a devoção de Nossa Senhora de Nazaré por toda a região de Portugal e posteriormente para toda a Europa. A principal casa de estudos e noviciado do mosteiro Jesuíta em Portugal é dedicada a Nossa Senhora de Nazaré.


Devoção a Nossa Senhora de Nazaré no Brasil


No Rio de Janeiro, a primeira devoção


No dia 8 de setembro do ano de 1630, após uma grande tempestade, um pescador saiu para ver suas redes no mar de Saquarema. Ao passar diante de um morro, onde hoje está erguida a Igreja Matriz dedicada a Nossa senhora de Nazaré, viu uma forte luz e foi verificar o que era. No local do brilho, ele encontrou a imagem de Nossa Senhora de Nazaré.


Levou a imagem para sua casa na vila dos pescadores, reuniu todos os pescadores, fizeram orações e foram dormir. No dia seguinte, a imagem reapareceu no local onde havia sido encontrada. Isso aconteceu por duas vezes. Todos entenderam que era para construir uma capela naquele local. Muitos milagres aconteceram a partir de então e a capela ficou pequena, sendo necessário construir uma igreja bem maior. Sua festa é celebrada no dia 8 de setembro.


No Pará


A devoção à Nossa Senhora de Nazaré é de origem portuguesa. Introduzida no Pará pelos jesuítas, há mais de 200 anos é cultuada na festa do Círio de Nazaré.


Consta que a imagem de Nossa Senhora de Nazaré foi encontrada pelo caboclo Plácido José de Souza no ano de 1700, às margens do igarapé Murucutu. Plácido a levou para sua casa e no dia seguinte a imagem havia desaparecido. O caboclo tornou a encontrá-la no igarapé, recolhendo-a novamente. O fato repetiu-se duas vezes até que foi construída uma pequena capela no local. Com o aumento da devoção, foi construída a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré nesta localidade, hoje Belém do Pará.

Cartazes dos últimos 20 anos

Em Belém ocorre todos os anos o Círio de Nossa Senhora de Nazaré e reúne mais de 2 milhões de fiéis que seguem esta imagem que é levada para à Casa de Deus, onde termina a procissão e há uma missa com todos os devotos.


Procissões semelhantes ocorrem no estado em Marabá, Cametá, Muaná, Parauapebas, Aurora do Pará, Mãe do Rio, Macapazinho, São Miguel do Guamá, Soure, Castanhal, São João de Pirabas, Vigia e também em Portel no Marajó.


Na Região Norte


Procissões em honra de Nossa Senhora de Nazaré ocorrem nas cidades de Manaus, Macapá, Santana, no estado Amapá, Porto Velho, Rio Branco, Boa Vista e em várias cidades do estado do Pará, como em Marabá, Vigia, Parauapebas e Soure, na Ilha de Marajó, em Belém do Pará, onde, no segundo domingo de outubro de cada ano acontece a maior procissão católica do Brasil em honra à virgem de Nazaré, padroeira do Pará e Rainha da Amazônia.


Na Região Nordeste do Brasil


São Luís (Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, onde é realizado anualmente o Círio de Nazaré, segunda maior festa religiosa da capital), Viana (Maranhão), Luis Domingues (Maranhão), Balsas, Riachão, Dom Pedro (Maranhão), no (Piauí) nas cidades de Nossa Senhora de Nazaré (Piauí) e Nazaré do (Piauí), Cruz de Rebouças na cidade de Igarassu (Pernambuco), (Fortaleza (Ceará - Montese), Capistrano (Ceará), Parazinho (Rio Grande do Norte).


Na Região Sudeste do Brasil


Além do Círio de Saquarema, na cidade do Rio de Janeiro ocorrem os círios de Anchieta, no qual a paróquia que a tem como padroeira irá completar 100 anos de existência em 2020, Tijuca e de Copacabana, introduzidos por paraenses residentes na cidade.


Existe ainda a devoção a Nossa Senhora de Nazaré em Acari, bairro do subúrbio carioca, onde anualmente a Arquidiocese do Rio de Janeiro desde 2009 encerra o Círio de Nazaré Itinerante. A corda é distribuída aos fiéis anualmente. E a imagem é uma réplica doada pela Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré (Belém/PA).


No estado de São Paulo, há procissões em Jardim Arpoador e no Sumaré. Na cidade de Santos, o círio ocorre desde 1950, introduzido por paraenses que viviam na cidade. Já em Nazaré Paulista, Nossa Senhora de Nazaré é a patrona da cidade. O culto é o mais antigo do estado, trazido por Mathias Lopes, um colonizador português.


Em Nazareno, Minas Gerais, acontece anualmente o Jubileu de Nossa Senhora de Nazaré. Emigrado de Portugal para o Brasil, Manuel de Seixas Pinto, trouxe consigo sua família e uma imagem milagrosa da Virgem de Nazaré. Estabeleceu-se em Minas Gerais, próximo à São João del-Rei, à margem direita do Ribeiro Fundo. Na Ermida familiar de Seixas Pinto, a Virgem de Nazaré era venerada pelos familiares e vizinhos. Seixas Pinto construiu uma igreja, em estilo rococó para a Virgem, para onde familiares, vizinhos e romeiros se dirigiam agradecendo e pedindo bênçãos; atrás da capela havia um cemitério. A capela de Nossa Senhora de Nazaré foi afiliada à Paróquia de Nossa Senhora do Pilar. Dom Antonio Gurgel, bispo do Rio de Janeiro, credenciou o Pároco de São João del-Rei a benzer a capela de Nossa Senhora de Nazaré, fundar a confraria de Nossa Senhora de Nazaré e dar posse à Mesa Administrativa da Confraria. A capela de Nossa Senhora de Nazaré, no Distrito do Ribeiro Fundo foi elevada, em 1850 à dignidade de Matriz da Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, Diocese de Mariana, sendo seu primeiro pároco o Padre Firmiano (1850 – 1859). O Papa Pio IX, em 19 de fevereiro de 1864, concedeu a graça do Jubileu a quem visitar o Santuário de Nossa Senhora de Nazaré em um dos dias 07, 08 e 09 de setembro, observando as condições que estão, no “Breve Pontifício”; graça esta alcançada por Dom Antonio, bispo de Mariana. Em estilo neo-clássico, o atual Santuário de Nossa Senhora de Nazaré foi construído por Antonio dos Reis Maia. A bênção da nova Matriz/Santuário de Nossa Senhora de Nazaré foi realizada, em 1885, por Dom Antônio Corrêa de Sá Benevides, Bispo de Mariana. A matriz velha de Nossa Senhora de Nazaré retornou-se, por decreto de Dom Antônio Benevides, ao status de capela, titular Santo Antônio.