• Sérgio Fadul - Rosa Mística Brasil / Cruz Terra

Nossa Senhora da Rosa Mística


Sobre Pierina Gilli, a vidente


Nasceu em 03 de agosto de 1911, Pierina Gilli, na Itália, em Montichiari, região de Brescia, no vilarejo de São Jorge e ela morreu com cerca de 80 anos, em 12 janeiro de 1991 na localidade de Broschetti. Seu pai, Pancrácio Gilli , era um camponês. Sua mãe, Rosa Bartoli (morreu em 1962) criou os nove filhos na pobreza e no temor a Deus. Destes, três eram de um primeiro casamento e seis filhos de um segundo casamento após a morte do primeiro marido em 1918 como resultado da Primeira Guerra Mundial. Pierina foi a primeira filha de nove irmãos.


Nada de extraordinário foi a infância de Pierina. No entanto pertencia à categoria de almas privilegiadas pelo carisma das revelações privadas; almas caracterizadas pela simplicidade, a pobreza e o sofrimento. Sofrimentos que para Pierina estavam ligados num primeiro momento com a pobreza, a doença, a morte de seu pai, a internação em um orfanato e depois começou a sofrer, ela mesma a mensagem de Maria "Rosa Mística": oração, sacrifício e penitência.

O primeiro grande sofrimento foi quando aos sete anos ela viu seu pai voltar, debilitado por sua detenção, no final da Primeira Guerra Mundial. Ele voltou não para a ser a alegria da família, mas para morrer pouco depois no hospital.


De 1918 a 1922 Pierina viveu no orfanato das Irmãs da Caridade, onde aos oito anos, ela recebeu a Primeira Eucaristia. Aos onze anos, teve de regressar à sua família: a mãe voltou a se casar e precisou da ajuda de Pierina, sendo a irmã mais velha, para cuidar dos menores e novos irmãozinhos.

Aos doze anos sua família dividiu um casebre com outra família e Pierina teve sua pureza ameaçada, sendo socorrida pela graça divina.

Com 17 anos passou por uma crise, quando trabalhava em um estabelecimento, desviando-se do caminho da santidade, superando-a com a ajuda de seu Confessor, relembrando compromisso de ser inteiramente de Deus.

Aos 18 anos, cuidava das crianças na creche municipal e, um bom jovem propôs-lhe casamento, sendo provada por seu confessor. Foram dois meses para Pierina de grande crise interior, sendo depois confirmada sua vocação religiosa.


Aos vinte anos ela estava prestes a realizar seu próprio desejo e ser aceita entre as postulantes das Servas da Caridade, quando ela foi atingida por uma pneumonia (pleurite), seguida de longos meses de convalescença. Depois disso ela não estava em condições de disputar com as candidatas, pois o trabalho era forçado. Em vez disso, encontrou um emprego adequado às suas forças no Carpenedolo, como empregada doméstica do Padre José Brochini, que tinha uma mãe cega de oitenta anos de idade. Ali esteve até a idade de 26 anos, de 1931 a 1937. Foram para ela anos serenos, junto ao sacerdote e sua mãe anciã na oração, na meditação e na leitura espiritual.


Com a morte da mãe do sacerdote, quis se despedir para seguir sua vocação. Entretanto não foi possível, devido a sua frágil saúde.


Em seguida, esteve por dois anos como empregada doméstica em Brescia na Clínica "Villa Blanca" com as Irmãs da Caridade de Santa Antida Thouret.


Aos 29 anos, não se sentindo apta ao serviço no departamento dos homens, se despediu e conseguiu ser aceita no Hospital Civil de Desenzano do Garda, onde prestou serviço as Servas da Caridade. Ali passou quatro anos, durante a Guerra, em relativa serenidade.


O PRIMEIRO PERÍODO DAS APARIÇÕES (1944-1949)


Em 14 de abril de 1944, com a idade de 33 anos, Pierina Gilli entra no convento como postulante das Servas da Caridade e é enviada como enfermeira do hospital de crianças em Bréscia. É o início de sua doença grave: meningite, relacionada com a primeira fase das aparições ocorrida no final de 1944 até o final de 1947.

Ela permaneceu isolada na enfermaria de Ronco, inconsciente, recebeu os últimos sacramentos. Na noite de 17/12/1944, apareceu-lhe Santa Maria Crucificada Di Rosa, que passou uma pomada em sua testa e suas costas e a curou. Recuperada, em julho de 1945 volta ao serviço em Desenzano do Garda.

Em 17/12/1945 a doença volta, suspeitando-se de meningite, otite e cálculo renal, sendo levada para o hospital de Montichiari.

Sua saúde melhorou e em abril de 1946 voltou a exercer a enfermagem neste hospital. Na metade de novembro de 1946, surgiram fortíssimas dores e vômitos, sintomas de uma oclusão intestinal que exigia intervenção cirúrgica urgente.

Na noite de 23 para 24 de novembro apareceu-lhe novamente Santa Maria Crucificada acompanhada de Nossa Senhora com 3 espadas transpassadas no peito.


Foi então que, na noite de 23 para 24 de novembro, apareceu para ela uma segunda vez, mas em um canto da sala.

Então ela viu naquele momento uma senhora muito bonita, transparente, em roupas roxas com um véu branco que, da cabeça, desceu para os pés. Ela é transparente. Ela abriu os braços e viu três espadas presas no peito ao coração...

"Eu sou Madonna", disse Maria crucificada para Pierina.

Ela pediu que oferecesse orações e sacrifícios por:

1. almas religiosas que traem sua vocação;

2. reparar o pecado mortal dessas almas;

3. reparar a traição de sacerdotes que se tornam indignos de seu ministério.

Pierina ainda diz que ela particularmente elogiou o esforço e dedicação dos sacerdotes que buscam a santidade.

No ano seguinte, Pierina sofreu cólicas renais fortíssimas e cistite muito dolorosa e um colapso cardíaco. No dia 12/03/1947 entrou em estado de coma: mais foi curada como por milagre de Santa Maria Crucificada.

No início de maio, iniciam-se as perseguições diabólicas, então Pierina, obedecendo a seu confessor e a Superiora e, confortada pelas aparições da Santa Crucificada, dorme no chão, sobre um cobertor, e jejua 3 dias por semana, a pão e água. Elas duram um mês, culminando no dia 1º de junho de 1947, com a visão do inferno. As 0315h desta noite, ocorre a segunda aparição de Nossa Senhora com 3 espadas no peito.

De 11 de junho a 12 de julho recebia quase diariamente a visita de Santa Maria Crucificada que a aconselhava e confortava.

No dia 13/07/1947 acontece a aparição de Nossa Senhora com 3 rosas no peito: uma branca, uma vermelha e outra amarelo-ouro (Oração, Sacrifício e Penitência).


No dia 13 de julho, Nossa Senhora afirma: "Eu sou a Mãe de Jesus e a Mãe de todos vós. O Senhor me envia para promover uma piedade mariana mais eficaz nos institutos e congregações religiosas [...] e entre os sacerdotes. Prometo a todos aqueles que me honram minha proteção, uma renovação de vocações, menos apostasia e um grande desejo de santidade. O dia 13 de cada mês seja um dia de oração dedicado a Maria e preparado durante os primeiros doze dias do mês. Eu trarei neste dia uma abundância de graças e vocações.

No dia 06 de setembro, Nossa Senhora de branco com as 3 rosas apareceu a Pierina na capela da Casa Provincial das Servas da Caridade, em Monpiano.

No dia 22 de outubro aconteceu o sinal miraculoso, na capela do hospital em Montichiari, quando Jesus deixou vestígios de seu Preciosíssimo Sangue, num crucifixo que Pierina recolheu num pano, que Nossa Senhora mandou deixar exposto por 3 dias. Depois disso Pierina foi examinada por médicos.

Após isso, ocorreram 4 aparições na igreja de Montichiari:

1) 16/11/1947 - após a santa missa da manhã, estritamente pessoal;

2) 22/11/1947- tarde: enviou uma mensagem para o Papa, um segredo.


22 de novembro de 1947 (quinta aparição), a Virgem descansa nas quatro pequenas cruzes simbolizadas no chão da igreja (Duomo) por Pierina. Ela anuncia grandes conversões, a urgência da reparação através da oração e a aceitação de pequenas cruzes diárias.

3) 7/12/1947- apareceu com Francisco e Jacinta;


Durante a sexta aparição (7 de dezembro de 1947, Vigília da Imaculada Conceição), a Virgem pergunta: "Em Fátima, espalhei a devoção da consagração ao meu coração. "Em Bonate, procurei trazê-la para a família cristã. "Em Montichiari, desejo que esta devoção à rosa mística, unida à devoção ao meu coração, se aprofunde nos institutos religiosos e obtenha graças mais abundantes do meu coração maternal. Este chamado seguiu: "Em Bonate, falta fé!

4) 8/12/1947- visão do imaculado coração de Maria, a instituição da HORA DA GRAÇA, ao meio-dia de 8 de dezembro.


O que ela confirma na última aparição de 8 de dezembro de 1947: "Aqui em Montichiari, eu gostaria de ser chamada de Rosa Mística. Naquele dia, foram dados agradecimentos por duas curas: uma poliomielite em uma criança de cinco anos que nunca tinha conseguido andar até agora; Um paciente de 26 anos que não sabia falar. Essas curas foram instantâneas, completas e duradouras. Um terceiro milagre acontece em uma casa particular durante a aparição: uma pessoa de trinta e seis anos, um problema cerebral e incontinência. É esse milagre que parece ter causado a impressão mais forte (Weigl, 26-27).​

A Igreja estava repleta de uma multidão e a reação das pessoas aos eventos foi positiva. Também ocorreram algumas curas milagrosas. Mas Pierina começou um período duvidoso, como quando um navio é jogado pelas ondas, buscando um porto seguro. As autoridades da Cúria Bresciana foram muito severas com Pierina e impediram-na de ter contato com a população. Ela foi levada para um lugar distante, em Brescia, e, posteriormente (23 ou 24 dezembro), por interesse do seu confessor Luigi Bonomini, foi hospedada pelo Instituto Feminino das Servas no Bairro Santa Cruz, onde permaneceu por três meses, sempre com o vestido de postulante.

No início de janeiro 1948 foi chamada e interrogada pela comissão composta pelo Pe. Agostinho Gazzoli, o chanceler, que foi sempre contrário à autenticidade das aparições, D. Zani, D. Bosio, então bispo de Chieti e D. Bosetti, então bispo de Fidenza. Ela também foi visitado por especialistas. Parece que a Comissão tinha opiniões contrastantes, por isso não conseguiu chegar a qualquer conclusão. Pierina foi exortada a viver isolada, porém vestida com o hábito de postulante.

No início de junho de 1948, foi acolhida por uma boa senhora, Martina Bonomi, que a levou para sua casa em Castelpocognano (Arezzo, Toscana, Itália central). Teve que não só retirar a roupa de postulante, mas também por pedido da Cúria, teve que mudar sua identidade, que aparece sob o nome Rosetta Chiarini. Ninguém devia suspeitar onde estava Pierina Gilli.

Ficou nesse exílio até final de novembro, muitas vezes sofrendo de cólica renal, tratada com tranquilizantes, mas sem o médico intervir para que a sua verdadeira identidade não fosse descoberta.

Ela sofreu muito, apesar de algumas aparições de Santa Maria Crucificada e da bondade e amabilidade da senhorita Bonomi. Ela voltou a ser chamada a Brescia para novo interrogatório, no final de fevereiro de 1949, foi forçado a ficar em casa perto de sua mãe e da família, que estiveram envolvidos nas humilhações que Pierina teve de suportar de pessoas que zombaram dela como uma louca, histérica e iludida. Com o objetivo de ser interrogada foi afastada durante quarenta dias em um local desconhecido, à disposição da Comissão examinadora.

Irritada com a insistência com que os membros da Comissão queriam sua retratação, disse que estava pronto para dar a vida, e aceitar qualquer castigo para sustentar a verdade das visões da Virgem. No final, na presença do Bispo, foi proposta a jurar sobre o Evangelho. Ela jurou e assinou os papéis que tinham sido preparados.Provavelmente, o bispo, Dom Jacinto Tredici, não partilhou do parecer negativo da Comissão.

Pierina escreveu em seu diário:

"Monsenhor quando estava sozinho em sua sala, tinha palavras de conforto, convidando para me manter boa e santa. Ele gostaria de saber quais as intenções que eu tinha. Eu disse, eu tenho problemas de saúde e não sei para onde vou. Ele me aconselhou a não ficar em casa de pessoas, mas seria melhor se afastar e ir para um convento ....

"Então, se buscou a muitos conventos. Fui rejeitada em cada casa, cada porta ... e meu nome era um terror .... Ninguém me queria. "

Um grupo de pessoas piedosas se interessaram em me acomodar perto de um colégio, somente a Madre Superiora podia visitá-la, depois então provisoriamente fui hospedada no Convento das Irmãs Franciscanas do Lírio de Brescia, era 20 de maio de 1949.