• Sérgio Fadul - Filhos da Paixão

Santo Adriano de Nicomédia



O martirológio Romano comemora, hoje, entre outros santos, alguns dos tantos mártires da terrível perseguição do imperador Diocleciano, no início do século IV. Tiramos da história eclesiástica uma página que nos relata o martírio de Santo Adriano: é uma página que comove até às lágrimas.


Adriano era chefe dos guardas do imperador Galério; estava casado havia 13 meses. Um dia, assistindo em Nicomédia ao processo de 22 mártires, revoltado com a injustiça do processo e, doutra parte, comovido pela firmeza das respostas dos cristãos, pelo ardor com que falavam do céu, pala fortaleza com que suportavam as torturas, lançou-se, improvisadamente, entre os cristãos, gritando: “Acrescentai também o meu nome a estes heróis mártires, pois também eu me declaro cristão”.


Foi levado para a cadeia com os colegas do martírio, que o batizaram. Um escravo de Adriano, que tinha assistido à cena, correu depressa a avisar a esposa de Adriano, Natália, que, secretamente, havia tempo era cristã. A notícia encheu-a de júbilo e, invadida de nova ternura, voa para a cadeia beijar as algemas do marido, exortando-a à constância. Ao deixá-la, Adriano lhe disse: “Minha querida esposa, prometo avisar-te quando chegar minha hora de julgamento e de martírio”.


Natália, após Ter recomendado seu Adriano aos presos, volta para casa, cheia de alegria. Poucos dias depois, Adriano ficou ciente do processo e obteve do carcereiro a licença de correr até sua casa e avisar Natália.


Esta, vendo-o chegar, receando que tivesse comprado a liberdade com a apostasia, desatou em choro, recusando-se a recebê-lo. Adriano lhe garante: “Abre-me, abre-me, querida, estou aqui só para te avisar que chegou a hora do meu julgamento e martírio, a fim de que assistas ao meu processo. Abre-me ligeiro, pois os momentos são contados”.


Natália, convencida por estas palavras, abriu a porta e se atirou de joelhos frente ao marido, vencida por um sentimento de veneração. Encaminharam-se, depois, em direção à cadeia. Natália ficou lá sete dias, curando as feridas dos mártires, que pingavam sangue depois das torturas.


Finalmente, eis Adriano perante o tribunal do imperador. Natália o segue. Começam as torturas. Ela, então, corre a avisar os colegas do martírio para que rezem pela perseverança de Adriano e volta a encorajar o marido. Este é novamente encarcerado. Natália consegue penetrar na cadeia a fim de prestar assistência aos mártires, mas, pelo fato de haver várias mulheres a cumprir este piedoso ofício, o imperador proíbe, terminantemente, esta caridade, exigindo que saiam.


Natália, conseguindo iludir a vigilância, corta os cabelos, disfarça-se com aparência de homem e fica dando assistência aos mártires. Pede então ao marido: “Adriano, peço-te, meu senhor e esposo, não te esqueças de mim que te preparei ao combate e te confortei nas dores. Como prêmio de minha fidelidade, rogo-te que me permitas morrer contigo. Sabes quanto é cruel o imperador: receio que, depois de tua morte, ele me obrigue a casar com algum oficial pagão; então o nosso tálamo seria profanado”.


O temor de Natália verificou-se. Depois da morte de Adriano, queimado vivo junto com outros 22 cristãos, Natália foi pedida como esposa por um general do imperador. Ela pediu uns trinta dias para refletir. Fechou-se em seu quarto, rezando: “Ó Senhor, olhai para vossa serva e não queirais que seja entregue a um pagão, profanando o lar do vosso mártir Adriano”.


Fugiu em seguida com outros cristãos em direção a Bizâncio. Vencida pelo cansaço e pela fome, caiu no chão e adormeceu. Viu, numa visão, Adriano na glória e que vinha buscá-la. Pouco depois adormeceu no Senhor!


Estes são os santos mártires, nossos irmãos que nos precedem na fé.

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