Bem aventuradas Teresa, Mafalda e Sancha


Hoje a Igreja celebra a memória litúrgica de três irmãs beatas: Teresa, Mafalda e Sancha, princesas portuguesas que foram vocacionadas à vida religiosa.


As três beatas recordadas no dia de hoje eram filhas de Dom Sancho I, rei de Portugal, e da rainha Dulce. Nascidas e educadas na corte, foram criadas na piedade e austeridade. As três manifestaram vocação à vida religiosa. Duas delas, porém, viriam a se casar antes que os caminhos da vida as levassem a concretizar esse chamado.


Teresa, a mais velha, nascida em 1177, foi prometida em casamento ao príncipe Afonso IX, de Lion. Teve com ele três filhos. Por uma série de razões, o casamento foi considerado nulo pelo Papa. Ela então regressou às terras portuguesas e realizou sua vontade de entrar para a vida religiosa, ingressando no mosteiro de Lorvão.


No ano 1200, ela ajuda a restaurar um mosteiro beneditino local, onde recebe o hábito religioso, e agrega junto a si outras companheiras. A comunidade reformada por ela chegaria a ter mais de trezentas freiras.


Descontente com o fato de o casamento ter sido desfeito e alegando que a união lhe havia concedido certos direitos, Afonso entrou em guerra contra Portugal e a família de Teresa. Ela, no convento, devotava-se inteiramente à intercessão.


Afonso voltaria a casar-se novamente, dessa vez com Berengária, futura rainha do reino de Castela, o que supostamente uniria o trono dos dois países. Porém esse casamento acabou também por ser anulado, visto que ele possuía consanguinidade com a esposa. Os reinos governados pelos dois viriam a ter relações hostis, enquanto ele se reaproximava de Teresa e deixava para as filhas que teve com ela seu trono.


Com a morte de Afonso, em 1230, inicia-se uma disputa entre os filhos de seus dois casamentos. Ele desejava que as filhas do primeiro casamento governassem seu reino, direito reivindicado pelo primogênito da segunda união. Isso levou Teresa a intervir nas disputas políticas. Ela permitiu que Fernando III, filho de Afonso com a segunda esposa, assumisse o trono, evitando assim contendas dentro da família e entre os reinos.


Ela voltaria a apaziguar outra disputa dinástica no fim de sua vida, quando seus sobrinhos começaram a se desentender. Conseguiu pôr fim à rivalidade entre os dois.

Despojada dos bens materiais e dedicando a vida à busca da vontade de Deus, beata Teresa sempre manteve um contínuo cuidado especial em relação ao povo mais humilde e desprotegido. Faleceu no dia 18 de junho de 1250, aos 74 anos de idade.


Beata Sancha, a irmã do meio, nascida em Coimbra, no ano 1180, tinha uma profunda fé e zelo pelo serviço de Deus. Nunca se casou, seguindo sua vocação religiosa.


Recebeu do pai como herança a administração da vila de Alenquer. Seu primeiro cuidado com a região foi fundar um convento de dominicanos e outro de franciscanos nas proximidades. Isso se deveu a admiração que tinha pelas ordens mendicantes, as quais desejava proteger.


Edificou também a Igreja de Redondo e o convento de Celas, em Coimbra, onde ingressou na vida religiosa juntando-se à ordem de Cister. Convidou para participarem da nova comunidade algumas religiosas que viviam em pequenas congregações sob a proteção dela.


Seguindo as regras cistercienses, levou uma vida de austeridade, sempre voltada à oração. Foi ao encontro de Deus no Céu no dia 13 de maio de 1229, aos 49 anos de idade. Após sua partida, as comunidades que havia fundado foram acolhidas sob os cuidados de sua irmã Teresa.


Por fim, a mais nova das irmãs, beata Mafalda, nasceu no ano 1195. Foi casada com Henrique I, rei de Castela. Ele, porém, faleceu muito jovem. Assim como suas irmãs, adentrou na vida religiosa, fazendo parte da Ordem Cisterciense, no convento beneditino de Arouca.


Dedicou-se ao serviço de Deus pelo resto de sua vida. Abriu mão de todos os seus bens, distribuindo-os entre mosteiros e hospitais. Dedicou-se também a inúmeras obras de piedade e misericórdia, sendo sempre solicita em fazer o bem.


Faleceu no mosteiro de Rio Tinto, próximo à cidade de Porto, no dia 01 de maio de 1256, aos 61 anos de idade. Mais tarde, quando seu corpo ia ser exumado para que o levassem à abadia de Arouca, descobriu-se que ele ainda encontrava-se incorrupto, ou seja, não tinha se deteriorado com o tempo. Isso gerou uma onda de fervor religioso em torno da devoção à beata Mafalda.


Teresa e Sancha foram beatificadas pelo Papa Clemente XI, em dezembro de 1705. Mafalda recebeu a mesma honra décadas mais tarde, em março de 1792, consagrada beata pelo Papa Pio VI. Costumam ser chamadas de Rainhas Santas.


Bem aventuradas Teresa, Mafalda e Sancha, rogai por nós

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