• Sérgio Fadul / Sacrossanto

Santa Margarida da Hungria


De uma família santa e de bons princípios, era sobrinha-neta de Santa Edviges, sobrinha de Santa Isabel da Hungria, irmã mais nova de Santa Cunegunda e da Beata Iolanda.


Era a oitava e mais nova filha do casal real. Este, na altura do seu nascimento, vivia no exílio, na Croácia, devido às invasões mongóis (1241–1242).


Aconteceu que seus pais fizeram promessa de que o seu país ficasse livre, a sua filha seria religiosa.


Daí logo cedo, aos quatro anos de idade, em 1245, entrou no Convento dominicano de Veszprém.


Seis anos mais tarde mudou-se para um convento, que os seus pais fundaram, no rio Danúbio, em Nyulak szigete, junto de Budapeste (hoje chamada Ilha de Margarida, em sua homenagem).


Ali viveu toda a sua vida, com grande devoção religiosa, e recusando as tentativas de seu pai para que se casasse com o rei Otokar II da Boêmia.


DETALHES:


O ano de 1241 foi um ano dificílimo para a Polônia e a Hungria. O tártaro Ogotai tinha a intenção de conquistar o mundo inteiro. Venceu os polacos em Liegnitz e a seguir invadiu a Hungria. O Rei Bela IV e seus homens lutaram heroicamente, o que não impediu que o rei tivesse que se refugiar junto ao Mar Adriático, na costa oriental.


Foi então, no Castelo de Ulissa, que nasceu, na primavera de 1242, Santa Margarida da Hungria, décima filha dos soberanos. Margarida foi batizada ao ar livre, na Ilha de Trau, por um dos poucos bispos húngaros sobreviventes - um terço da população tinha perecido.


Quando Margarida nasceu, seus pais prometeram consagrá-la a Deus se Ele lhes concedesse a vitória. Suas orações foram ouvidas e Margarida, aos três anos de idade, foi confiada ao convento das religiosas de São Domingos, de Veszprem.


O Rei e sua esposa, a Rainha Maria Lascaris, construíram um convento em uma ilha do Danúbio, próximo de Budapeste, onde Margarida, com apenas doze anos de idade, fez sua profissão diante do Beato Humberto de Romans.


...mudou-se para um convento, que os seus pais fundaram, no rio Danúbio, em Nyulak szigete, junto de Budapeste (hoje chamada Ilha de Margarida, em sua homenagem). Ali viveu toda a sua vida...


Bela IV recebeu o título de "campeão da cristandade" e foi descrito como "o último gênio dos Arpádios". As qualidades de Margarida provam que ela havia herdado as qualidades extraordinárias de seu pai; sua nobre linhagem realça mais os detalhes de sua extraordinária vida de abnegação.


A Ordem de São Domingos tomou o cuidado de guardar a memória de uma de suas primeiras e mais ilustres filhas.


Parece que Margarida era excepcionalmente bela. Aos 16 anos, o Arcebispo de Esztergom comunicou-lhe que o Papa Alexandre III a dispensava do voto dos pais, caso fosse de interesse da nação que ela se casasse. Com efeito, o Rei Otokar, da Boêmia, desejou sua mão após tê-la visto com hábito de religiosa.


Margarida, porém, estando acompanhada da prioresa declarou:


"Honras-me sobremaneira, rei valente e poderoso, ao desejares que seja tua mulher, e está muito longe de mim desprezar a vocação de esposa. Mas como poderia fazê-lo, tendo presente o exemplo da bem-aventurada Virgem Maria, como também a dedicação da minha própria mãe querida, de quem sou a décima filha? Mas eu não nasci para ser esposa e mãe.


A minha tarefa é completamente diversa. Por isso peço que te vás embora sem te zangares, e busca para ti uma esposa que possa fazer-te ditoso. Eu, ó rei, não poderia fazer-te feliz".


Por sua vez, Carlos de Anjou também planejou obter sua mão e recebeu igual negativa.


Como a maioria das religiosas do convento pertencia à nobreza, a princesa Margarida era tratada com especial consideração. Ao perceber isso, ela procurou escolher sempre os trabalhos mais humildes, repugnantes e tediosos. Cuidava dos doentes que padeciam os males mais repulsivos.


Por uma graça excepcional, uma cópia completa dos testemunhos do processo de beatificação de Santa Margarida, iniciado menos de sete anos depois de sua morte, chegou até nossos dias. Cerca de cinquenta de suas companheiras falaram sobre a mortificação e a caridade de Margarida nesse processo.


Ao lermos esses depoimentos, ficamos plenamente convencidos que o seu valor na luta contra o mundo e a carne exerceu uma profunda influência nos que a rodeavam.