• Sérgio Fadul / Cat

São Josafá



SÃO JOSAFÁ KUNCEWICZ, Bispo e Mártir (memória obrigatória do dia 12 de outubro)




São Josafá, Bispo e Mártir


São Josafá: flagelo dos cismáticos, modelo de desassombro apostólico, bispo zeloso, grande defensor do papado e da união com Roma, enfrentou heroicamente os inimigos de Deus e de Sua Santa Igreja, o que lhe valeu a palma do martírio e a glória eterna


Durante uma viagem, o Santo é abordado por um velho que lhe pede esmola. "Eu lhe darei com muito boa vontade, -- responde ele --,mas com a condição de que se confesse". A essas palavras, o mendigo hesita e até balbucia uma recusa. O Bispo o encoraja, e ouve a afirmação de que nunca o pedinte havia se aproximado do confessionário. Lágrimas rolam pela face do pobre após essa declaração. Eram elas sinal de sincero arrependimento. O velho confessa-se então imediatamente com o próprio Prelado, morrendo logo depois na paz de Deus.


Tal fato inclina São Josafá a tornar-se mais ardoroso em prestar socorro às almas com vistas à salvação eterna. Que belo exemplo para eclesiásticos contemporâneos, que se mostram preocupados em cuidar mais do corpo que da alma de seus fiéis!


* * *


João Kuncewicz nasceu em 1580, na cidade de Wolodymyr, na atualLituânia, mas, então, pertencente à Polônia. Era filho de simples e respeitado comerciante, segundo alguns, de nobreza empobrecida.


Ainda criança, vendo o crucifixo, pergunta a sua mãe o que ele significa. Diante da explicação, sente como uma centelha de fogo que caía sobre seu coração, comunicando-lhe grande amor pelas cerimônias da Igreja. Foi o ponto de partida de sua vida interior e de sua missão.


Sua infância transcorre na mais perfeita inocência e piedade, que se refletem até em seus divertimentos preferidos. Decora o Ofício divino para poder cantá-lo.

Enviado a Vilnius para fazer carreira junto a rico comerciante, não perde o hábito da oração, o que lhe acarreta injustos castigos corporais, pois o patrão deseja vê-lo somente produzindo. Sua piedade, porém, cresce em meio às vicissitudes.


A capital da Lituânia era então uma arena onde todos os erros se conjugavam para combater a Santa Igreja. Cada tipo de heresia lá tinha seu templo, seu ministro e seus defensores. Em uma mesma família ocorria o fato de ser o pai de uma, a mãe de outra e os filhos de uma terceira religião.


Exposto aos perigos próprios a tal ambiente, sem conselho, sem experiência, evitando as pessoas ociosas, levianas e imorais, atravessou Josafá esse ambiente sem sujar sequer a franja de suas vestes.



Grande polemista, confessor, auxílio dos necessitados...


Quando a população de Vilnius se lançou no cisma, Josafá rezou a Deus Nosso Senhor suplicando-lhe que lhe indicasse o caminho que devia trilhar. "A partir desse momento -- narra o próprio Santo -- votei tal ódio ao cisma, que era forçado a repetir sem cessar a palavra do profeta: Eu odeio a sinagoga dos maus (Salmo 25)".


Desde então nasceu nele o desejo ardente de ser o flagelo contra o cisma, o defensor da união com Roma.


Espírito vivo e sagaz, propenso a análises sólidas, dotado de memória fácil, considera o comércio uma atividade insuportável. E nem mesmo a promessa de tornar-se herdeiro do rico comerciante leva-o desistir de seguir sua vocação, que é a de tornar-se monge basiliano. Assim, em 1605 ingressa na Ordem de São Basílio, nela recebendo o nome de Josafá, segundo o costume grego.


As leituras sobre a vida e o holocausto dos mártires não somente o entretêm, mas conferem-lhe ânimo para a luta de todos os dias.


A reputação de suas virtudes chegou aos ouvidos de certa mulher de má vida, que o visita na certeza de conseguir seduzí-lo. Indignado, ordena o Santo que ela se afaste. Diante da negativa, arma-se com um bastão e à força de golpes obriga a infame pecadora a fugir envergonhada. A notícia de tal ato de virtude logo circula pela cidade, e em decorrência disso, todos querem ver Josafá e ter a honra de merecer sua amizade.


Nota-se no espírito do Santo simplicidade, retidão, amor de Deus extraordinários. Aos poucos, forma-se em torno dele, pequena, mas, fervorosa comunidade religiosa. Nela, Josafá exerce as funções de sacristão, corista, ecônomo: em uma palavra, todas as atividades secundárias da casa.


Certa ocasião, os cismáticos convidam-no para uma reunião, esperando atraí-lo para sua causa. De volta ao mosteiro, Josafá comenta que estava chegando do inferno, onde ouvira a voz de Satanás propondo-lhe que renunciasse à fé.


As agitações crescem em torno de si, não podendo sair em público sem ser objeto de vaias e maldições dos cismáticos. Chamam-no de traidor, hipócrita, trapaceiro, ignorante, ímpio. Jogam-lhe até pedras e paus.


Durante tais perturbações, em 1609, recebe a ordenação sacerdotal, completando, com tal sacramento, o sacrifício de louvores a Deus que havia iniciado desde a infância.


Sempre grave e recolhido, por inclinação natural, manifesta rara disposição para o estudo. Espírito penetrante, tudo o que lê e entende fica gravado em sua mente. Explica-se, pois, que discorra sobre os artigos da fé, nos pontos discutidos pelos cismáticos, com clareza e encanto fulgurantes. À sua voz, uns abjuram a heresia, outros o cisma e outros ainda renunciam a uma vida pecaminosa. A graça de Deus transborda de seus lábios e triunfa sempre de seus adversários fazendo-os retirarem-se confusos e estupefatos, perguntando-se donde lhe vinha tanta sabedoria. Apelidaram-no o “arrebatador de almas”.


Sua atividade é prodigiosa: vigário, administrador nos planos temporal e espiritual, ecônomo, confessor, mestre de noviços, além de visitar hospitais e bairros pobres.


E quanto mais rezava, mais se abrasava do desejo de se imolar por Deus.



Fogo! Fogo! Josafá está rezando...


Certa vez, dois religiosos de seu mosteiro, ao passar junto a sua cela, viram-na em chamas. Dão o alarme e todos acorrem. Quando vão arrombar a porta, o fogo desaparece: era Josafá que estava prosternado, rezando com a face no solo e os braços em forma de cruz! Seus companheiros compreendem o prodígio e afastam-se bendizendo a Deus.


É lastimável não terem procurado penetrar no tesouro de seu coração os que conviveram com o Santo. Quantas ações heroicas, quantas exemplos preciosos, quantos favores celestes ficaram esquecidos devido a essa negligência! Eles mesmos, mais tarde, lamentaram-se pelo fato de, embora vendo-o, não o conheceram nem o imitaram.


Entretanto, mesmo assim, aqueles que dele mais se aproximam crescem em virtude. Ao mesmo tempo, aumenta em relação a eles o ódio de Satanás e dos cismáticos. Tal ódio consiste num sinal evidente de que esses seus companheiros estão no bom caminho. Por suas virtudes, seu zelo apostólico e sua atividade incansável, empreende verdadeira reforma no Mosteiro da Santíssima Trindade, em Vilnius.


Muitas vezes ocorre que uma multidão de demônios invade a igreja do mosteiro, à meia noite, lá permanecendo até o clarear do dia em orgias, soltando uivos e latidos, o que impede os monges de dormir. Em troca, São Josafá não os deixa em paz. Arma-se com o Santíssimo Sacramento e, quando a tropa infernal chega, ordena-lhe que se retire, perseguindo-as até no interior do cemitério, até o túmulo onde os demônios se precipitam e desaparecem.


Quanto mais avança em idade, mais alegria encontra na oração. Freqüentemente, vêem-se os próprios Anjos ajudarem-no durante a Missa. E de uma imagem de Nossa Senhora saem raios que o envolvem em luz, quando reza diante d’Ela.



Um bispo inflexível na defesa da Fé