• Sihan Félix - Canaltech

Next Gen - Uma história de um futuro alienado pelas redes sociais e a busca do resgate do amor verda

Estaremos apresentando às crianças da Catequese, no próximo dia 11/11 o filme Next Gen. Segue uma crítica do filme, assim como um trailer, para que possam já conhecer do que se trata este novíssimo filme...

Em um mundo cada vez mais refém do amanhã, onde a próxima geração de smartphones pode ter o poder de chamar mais atenção do que um incêndio em um dos maiores museus de história natural e antropologia das Américas, Next Gen surge como uma crítica negativa escancarada ao vício por tecnologia. Com esse viés, a criação de um vilão único e óbvio livra os verdadeiros culpados e acaba transformando essa animação da Netflix no simples jogo do bem contra o mal, onde o mal é Justin Pin – uma espécie de Steve Jobs possuído por um capiroto do futuro – e o bem é Mai – uma adolescente, obviamente, retrô.


Entre essa dualidade, está 7723, um robô que tem muitas semelhanças com o Baymax (de Operação Big Hero), seja nas características físicas ou, especialmente, nas questões de amizade – o que inclui a investida para que ele (o robô) auxilie a protagonista em uma espécie de vingança. O problema é que, aqui, a vingança não é inicialmente contra o culpado pela morte do próprio irmão, mas contra uma colega de escola que pratica bullying.

É exagerando nessa abordagem e na impulsividade de Mai que Next Gen traz algumas reflexões válidas e cria, dentro dessa camada de hiperexposição, um paralelo justamente com o bullying, dialogando sobre o quão prejudicial é esse tipo de violência (seja física ou psicológica) – ainda mais por ser praticado dentro de uma relação de poder desigual. Para uma mente em formação, já maltratada por um desligamento paterno, carente de mãe (por esta ser envolvida demais com os robôs) e encharcada de hormônios, pode ser o pavio mais do que necessário para atitudes extremas.


Mas a animação, que é coproduzida por Estados Unidos, Canadá e China (com algumas poucas falas em mandarim inclusive), prefere não discutir a fundo essa questão. Assim como não procura profundidade em qualquer outro aspecto. Enquanto não há sutileza na abordagem futurística, revelando um mundo tecnologicamente homogêneo, o roteiro escrito por Kevin R. Adams e Joe Ksander (os próprios diretores) tenta centralizar outras temáticas – amizade, memória e violência – e acaba por dizer muito sobre nada. Aliás, ao discursar sobre os efeitos da violência para conter a violência, Adams e Ksander constroem algumas cenas sádicas, como aquela em que 7723 destrói um pobre robozinho em um campo de futebol e, logo depois, promovem uma desnecessária chuva de partes e membros do falecido (mesmo ponto onde exagerou Carros 2, da Pixar).


Por outro lado, há coragem real já nos créditos iniciais, que apresentam a infância e o desenvolvimento da personagem (de onde vem todo o ódio reprimido) ao som do rock alternativo da banda Bikini Kill. A música é Rebel Girl e sua tradução remete a uma garota rebelde que é o início de uma revolução, de um posicionamento perante uma maioria:


“Quando ela anda, a revolução está vindo Quando ela fala, eu escuto a revolução Em seus quadris, há revolução Em seu beijo, eu provo a revolução” (trecho da música em tradução livre)